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Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem com o dado técnico
1. Maioridade e menoridade social das técnicas
2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto
3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo
4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas
Adquirir cultura é atualizar analogicamente os esquemas humanos reais, ocupando-se somente em caráter
secundário das agitadas repercussões que uma invenção ou uma publicação tiveram entre seus
contemporâneos, porque elas são prescindíveis, ou, pelo menos, só se pode apreendê-las tendo como
referência o pensamento original, a invenção em si.
A ordem enciclopédica do simultâneo se vê expulsa do ensino cultural porque não se ajusta às opiniões
dos grupos sociais, que nunca têm uma representação da ordem do simultâneo, pois só representam uma
fração mínima da vida numa determinada época, e não podem situar-se por si. Esse hiato entre a vida atual
e a cultura vem da alienação da cultura, isto é, do fato de que a cultura, na realidade, é uma iniciação às
opiniões de determinados grupos sociais que existiram em épocas anteriores.
O objeto técnico se distingue do objeto científico porque este último é um objeto analítico, que visa a
analisar um único efeito, com todas as suas condições e suas características mais exatas, ao passo que o
objeto técnico, muito longe de se situar inteiramente no contexto de uma ciência particular, está, na
verdade, no ponto de convergência de uma multiplicidade de dados e efeitos científicos provenientes dos
mais variados domínios, integrando os saberes aparentemente mais heteróclitos (singulares), e que podem
não estar intelectualmente coordenados, embora se coordenem na prática, no funcionamento do objeto
técnico.