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Do mesmo modo que só seria possível trazer os olhos das trevas à luz juntamente
com o resto do corpo, também seria preciso destacar a inteligência do devir até
que se mostre capaz de chegar à contemplação do fulgor supremo do ser, ou seja, à
contemplação daquilo que chamamos de Bem.
Não se trata isso de infundir na inteligência a vista, mas de orientá-la, uma vez que já
a possui, porém não consegue voltá-la para a direção certa nem ver aquilo que
deveria. Mais que qualquer outra, a inteligência está ligada a algo mais divino, e
assim torna-se útil e vantajosa, ou ao contrário, inútil e prejudicial, de acordo com a
conversão da alma.
A alma dos que são maus, porém inteligentes, vê de modo penetrante e distingue
agudamente as coisas para as quais se volta, uma vez que tem a vista não má, mas a
serviço da maldade, de maneira que quanto maior sua acuidade, maiores serão os
males por ela cometidos. Assim, se, a partir da infância, podassem-se estes que estão
ligados ao devir e às sensualidades e que arrastam para baixo a vista da alma,
convertendo-os para a verdade, esta mesma natureza de tais homens veria, da
maneira mais aguda, exatamente como vê aquelas para as quais dirige o olhar.
Platão em República, livro VII, 518C
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IDEIAS TÊM CONSEQUÊNCIAS - AS REVOLUÇÕES NA PEDAGOGIA E A EDUCAÇÃO CLÁSSICA
III SIMPÓSIO AMAZONENSE DE EDUCAÇÃO CATÓLICA CLÁSSICA • COLEGIOSANTOAFONSO.ORG