marcados por movimentos sociais e mo- bilizações de toda ordem, que estouraram um pouco por toda parte. Na esteira de uma crise global, econômica e social quase sem precedentes - cuja medida mais próxima de comparação foi a de- pressão dos anos 1930 -, diversos países e regiões do mundo se viram às voltas com fenômenos como o Occupy Wall Street, a Primavera Árabe ou os “indigna- dos” da Espanha. Entre nós, 2013 marca uma reversão de quadro no mesmo sentido: a partir de junho daquele ano, uma série de manifes- tações levaram à constatação de que “o monstro das ruas” havia acordado, com o auxílio das redes sociais e dos smart- phones. A esse quadro, é preciso acrescentar a mudança de ethos cultural trazida pelo advento da Geração Y. Impactados direta- mente pela crise econômica, os millennials, com sua propensão a “pensar e fazer fora da caixa”, estão mais prontos a dar vazão à sua insatisfação, sob alguma forma de ação. De fato, o ativismo tornou-se uma es- pécie de marca registrada dessa geração, aparentemente muito tolerante e sensível a causas e a reivindicações de grupos es- pecíficos, especialmente no que concerne às questões identitárias. Tudo isso somado levou à percepção de que, agora, é a despolitização que está fora de moda. Seja nos EUA, em países europeus, na Coreia do Sul ou no Brasil, a elevação da temperatura do debate político e o novo interesse por questões éticas são as duas pontas que formariam uma espécie de continuum. Com esse pano de fundo, as marcas não tardaram a reagir. Nos últimos anos, te- mos visto uma proliferação de ações, campanhas e posicionamentos sobre o binômio causas e política, sob a bandeira do “marketing de propósitos”. O pressu- posto é que o consumidor de hoje, mais politizado, deseja que as marcas partici- pem ativamente desse debate. Ora, saber se isso corresponde à realidade, do ponto de vista do consumidor brasileiro, tornou- se uma questão estratégica para as mar- cas. TOBIAS ZILS