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Catálogo Digital

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Exposição Livros de terra

October 02, 2025

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  1. Exposição itinerante Livros de terra Projeto de extensão Espaços em

    comum: Práticas artísticas em cerâmica Patrocínio Apoio Execução Realização SãoJosé PREFEITURA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SECRETARIA DE CULTURA UFPR 2025
  2. Realização
 Projeto de extensão Espaços em comum: Práticas artísticas em

    cerâmica Exposição itinerante Livros de terra Setembro a novembro de 2025 Organização Isabelle Catucci e Joelma Z. Estevam Equipe extensão Arthur Felipe Oliveira, Giovanna Nahirny e Ruth Massabki Rensi; Bolsa PROEC/UFPR: Thiago Silvestre Execução administrativa do projeto Fundação da Universidade Federal do Paraná para o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da cultura (FUNPAR) Apoios Departamento de Artes Setor de Artes, Comunicação e Design Secretaria de Educação de São José dos Pinhais Secretaria de Cultura de São José dos Pinhais Sistema de Bibliotecas (SIBI UFPR) Biblioteca de Ciência e Tecnologia Patrocínio Itaipu Binacional Universidade Federal do Paraná Pró-Reitoria de Extensão e Cultura Setor de Artes, Comunicação e Design Departamento de Artes Curso de Artes Visuais Agradecimentos Angela Pereira de Farias Mengatto, Denise Rocha, José Guilherme Ferreira, Marcelo Ricardo de Lima, Patrícia Salles, Rose Cavalaro, Sarita Cavalcanti, Aglaê Frigeri, Danilo Ramos e Eduardo Hebling Revisão José Bernardo Projeto Expográfico Gustavo Paris e Raisa Cantador Identidade Visual Rede LaBase Fotografia André Sanches Audiodescrição Giovana Narhiny e Thiago Silvestre Mediação Joelma Z. Estevam Equipe de mediação Giovana Narhiny e Thiago Silvestre Assessoria de comunicação: Bruna Alcântara DADOS INTERNACIONAIS DE CA T ALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SISTEMA DE BIBLIOTECAS – BIBLIOTECA Exposição itinerante Livros de terra [recurso eletrônico]. / organização : Isabelle Catucci, Joelma Z. Estevam. – Curitiba : Universidade Federal do Paraná. Pró-reitoria de Extensão e Cultura. Setor de Artes, Comunicação e Design. Departamento de Artes. Curso de Artes Visuais, 2025. 1 recurso on-line : PDF. e-ISBN 978-65-5458-404-3 1. Livros de artistas - Exposições. 2. Artes visuais. 3. Ceramistas. I. Catucci, Isabelle, 1986-. II. Estevam, Joelma Zambão, 1969-. III. Universidade Federal do Paraná. Pró-reitoria de Extensão e Cultura. IV. Setor de Artes, Comunicação e Design. Departamento de Artes. Curso de Artes Visuais. V. Título. CDD – 016.7 Bibliotecária: Fernanda Emanoéla Nogueira Dias CRB-9/1607
  3. Francis Rodrigues. Argiloso – nos limites da terra, 2025. Giovana

    Tartas. Sem título, 2025. Glaucia Flügel. Sem título, 2025. Guilherme Brollo. Em busca de um sentido, 2024. Joseli Bezerra. Verso Sedimentado, 2024 a 2025. Laura Franciscato. Herança, 2022. Luciana Ferreira. Alvéolos, 2025. Retta Rettamozo. ComoVer, 2017 . Maikel da Maia. Minha geografia, 2015. Maria Helena Saparolli. Livretos, 2025. Marta Castelo. Construção Contínua, 2023. Milena Celli. A Trilha, 2025. Nicole Christine. Calçadas, 2025. Rubens Takamine. Não há quadrados na natureza, 2025. Silmara Zago. Onde foi parar o nosso tempo? 2020. Profas. S. José dos Pinhais. Coleção de livros de terra, 2025. Profas. S. José dos Pinhais. Legado de terra, 2025. Tânia Bloomfield. O jogo da extinção, 2025. Vaguelis Silva. O corpo do Insulto, 2025. p.40 p.42 p.44 p.46 p.48 p.50 p.52 p.54 p.56 p.58 p.60 p.62 p.64 p.66 p.68 p.71 p.74 p.76 p.78 Índice Apresentação Livros de terra Mediação da exp . ITINERANTE Livros de terra Poética do chão, memória e criação Artistas e trabalhos apresentados Isabelle Catucci Joelma Z. Estevam Sarita Cavalcanti Aionara Preis e Rosana Bortolin. Eu sou Terra, 2025. 
 Ana Elisa de Castro Freitas. Arquivo Terra Mater, 2025. Ana Lúcia Canetti. Escritas do fogo, 2025. Andressa Lemos. Nós dois e o agora, 2025. Bianca Castro. Conversa com o tijolo, 2025. Bordas Coletivo. Identidades bordadas: livros táteis, 2024. Caim Damico. Sem título, 2025. Laudete Luginieski. A cor debaixo do chinelo, 2025. Coletivo (H)Eras. Anhangá, 2025. Dante Karras. Testemunho de tocos, 2025. Emerson Persona. Campo Santo, 2013 a 2025. p.18 p.12 p.06 p.14 p.20 p.22 p.24 p.26 p.28 p.30 p.32 p.34 p.36 p.38
  4. Integram esta exposição artistas com carreiras consolidadas, iniciantes, estudantes, pesquisadores

    que atuam na docência e pesquisa em diversas instituições, de perto e de longe, do DeArtes UFPR, UFPR Litoral, Unespar, Udesc, UFRGS, USP , UFRJ, UNB, Universidade de Lisboa, entre outras. Também estão presentes professoras, das quais destacamos o grupo de professoras do ensino infantil da rede pública de São José dos Pinhais, que participaram da oficina Livros de terra, ofertada pelo projeto de extensão neste ano. A multiplicidade de saberes nos indica formulações e práticas ativadas por experiências que transbordam, que não estão limitadas ao estranhamento inicial da estrutura formal incomum destes livros, pois estão conectadas com as complexidades e questões cotidianas. Os livros de terra fazem brotar, combinam, articulam e transformam nossas leituras. Em um sentido de multiplicidade diferente daquele referido no Livro de Areia, do conto escrito por Jorge Luis Borges³, onde a ideia de invenção infinita de histórias parece ser fascinante, mas conturbadora; temos aqui propostas que apresentam finitudes e recomeços contínuos. Os livros de terra buscam, por sua vez, aguçar o sentido de vida, com sua presença cíclica, compartilhada, que faz renovar a correspondência com as nossas presunções imediatas, pois, em muitos casos, eles buscam a liberdade dos processos poéticos de vivência, desdobram alternativas de resistência e continuidades. ¹ XAKRIABÁ, Nei Leite. Ensinar sem ensinar. PISEAGRAMA, Belo Horizonte, n. 15 [conteúdo exclusivo online], dezembro. 2021. ² DERDYK, Edith. A narrativa nos livros de artista: por uma partitura coreográfica nas páginas de um livro. PÓS: Revista do Programa de Pós-graduação em Artes da EBA/UFMG, Belo Horizonte, p. 164–173, 2023. ³ BORGES, Jorge Luis. Ficções. São Paulo, SP: Abril Cultural, 1972. 07 Apresentação Isabelle Catucci Para recuperar as técnicas de cerâmica usadas anteriormente por sua comunidade, Nei Leite Xakriabá¹ menciona que entrevistou os ceramistas mais velhos, também chamados de “livros vivos” , onde ele poderia buscar o conhecimento de seu povo. Em um sentido aproximado, ao percebermos a terra que nos nutre, abriga e demanda cuidados, fizemos o convite e a pergunta: como seriam os livros de terra? Esta exposição traz alguns livros feitos de terra, de cerâmica ou, ainda, em diversos materiais que trazem a terra como principal tema. Tentamos interpretá-la, representá-la e somos tocados por ela. Tal reciprocidade é proporcionada pelo caráter lúdico e coreográfico, como nos ensina Edith Derdyk², de folhear a página e dançar com o corpo, com os olhos, em ritmos encadernados, pausados ou agrupados, como um dos possíveis exercícios que os livros nos proporcionam. Configurada aqui na categoria de livro de artista ou livro-objeto, esta expressão artística integra a literatura, a poesia, a imagem, a ilustração, a forma; e por vezes intensifica a percepção de peso, cheiro, cor, textura, indica a força e a fragilidade da matéria, abre um leque de características que fazem ressaltar novas leituras. Os trinta trabalhos apresentados nesta exposição permitem trajetos conceituais agrupados em quatro núcleos: memória e ancestralidade; transformações e processos construtivos; diversidade e pertencimento; antropoceno e meio ambiente. Nestes livros, ainda percebemos o interesse renovado e profícuo de comprometimento com o cotidiano, sobre o espaço compartilhado que requer preocupações, interessado em ativar e tornar presente as possibilidades de imaginação, de transformar e reformular as práticas e as atenções, que problematizam o colapso dos inúmeros modos de vida, espécies, que se mostram sensíveis e combativos ao reducionismo de mundos ou, ainda, aos modos restritos de interpretar a terra. 06
  5. memória e ancestralidade O exercício da memória é também movimento,

    mas em uma dimensão exponencialmente diversa. Quando Laura Franciscato reescreve a caligrafia da avó na panela de barro, faz surgir o tempero da lembrança, de quem sabe o sabor daquele macarrão! Esse movimento de ver o que não está ali, mas que se faz sentir, pode ser aproximado à frase que compõe a poesia de Cora Coralina: “Coração é terra que ninguém vê”. Nas narrativas dos livros de terra atravessadas pela dimensão intensificada pelo tempo, percebemos também o pulsar da vida, como na coleção de livros de artista realizada pelo grupo de professoras de São José dos Pinhais, que retomam a infância e o ambiente como entrelaçamentos contínuos, quando as brincadeiras, encantamentos e experiências elegem as motivações da vida cotidiana. Por outra via, o pó e a flor nas fotografias de Glaucia Flügel prestam homenagem ao instante, onde buscamos reter a beleza presente do tempo fugidio. Também Andressa Lemos procura retomar as cenas de afeto entre as pessoas nos espaços arborizados, ao ar livre, como momento de desfrute em vias de apagamento pelas cidades cinzas. Na maleta de pintura de campo, de Ana Elisa de Castro e Freitas, o livro de cerâmica retoma palavras ancestrais, e a caixa carrega também o peso das terras e seixos, molda as representações dos grandes rios em línguas originárias, como grandes confluências que nutrem o sentido materno da terra, por onde o interesse nômade de captura transita. Guardados em caixa comum de papelão, os pesados e inacessíveis livretos de cerâmica de Maria Helena Saparolli deixam-nos recordar das capas adornadas e das escritas e anotações recolhidas, como arquivos com conteúdos acessíveis pela imaginação criativa e lembranças. No livro em cruz de Giovana Tartas, as fotos de família mesclam-se às paisagens rurais, seus embates e avessos ainda estão presentes na terra onde nasceram e que não habitam mais. 09 Possíveis roteiros de leitura Transformações e processos construtivos Segundo Paul Klee, “o movimento é base de todo devir”, e o devir como livro de terra indica conjunções, coletas, sobreposições, reconhecimento das energias que passam a compor nossas existências, que arquitetam e dão chão ao solo, tijolos ao acaso modular, remontam às origens dos pigmentos, tons, materiais. O trabalho de Nicole Christine documenta as calçadas, indaga as escritas polifônicas urbanas e retoma os trajetos. No livro de Rettamozo, ComoVer, o chão é palco para a sombra e, em conjunto com diversas pessoas, elabora cenas a partir da frottage, que revela a grafia dos pisos com argila visualizados na publicação por lentes que buscam a terceira dimensão. Com Bianca Castro e Marta Castelo, acompanhamos, de maneiras diversas, o diálogo criativo com o tijolo, em cerâmica ou barro, eles são composições e decomposições em via de reorganizar o espaço-tempo. No livro-objeto de Caim Damico, a cidade desdobra-se entre a geolocalização, o azulejo e o afeto. No livro de Maikel da Maia, as mãos compõem os espaços, ou seriam os espaços compostos por elas? No ateliê de fazer-cerâmica, Aionara Preis e Rosana Bortolin coletam as matérias-primas dessa técnica que se requer perene, mas para fazer-sentir com os dedos, elas apresentam os estados líquidos de cores e densidades, em flutuações do toque. Nas amostras realizadas por Claudete Luginieski, a formulação das tintas, guache, óleo e aquarela, dá-se a partir do ( e com o) terreno habitado, nas amostras ela anota e recupera as denominações familiares, e com isso o estranhamento surge nas tintas, como potências pictóricas a serem reimaginadas. Por outro lado, Francis Rodrigues dedica-se à captura da experiência com a argila moldável, como um caminho para a fotografia e a tecnologia, reconfigurado em seu fichário como estudo das estruturas formais e abertas desse sentir, do bloco ao grão. Esses devires são como elaborações constantes da linguagem, do entorno, do mundo, e, por vezes, eles parecem pausar, repousar, fenecer ou, ainda, retornar, como um desejo atemporal. Mesmo assim, aquele ponto onde a observação parece ser firmada na terra, onde o pouso condensa e ameaça estancar, elencando estratos e sobreposições, mesmo aí percebemos os processos construtivos com a terra, nas camadas revolvidas ao acaso, decompostas por acúmulos e reações, fragmentadas por pressões e abertas para as ressignificações quando retomadas como superfície, como página de inscrição, rasura, marca e leitura. 08
  6. antropoceno e meio ambiente Os embates são sentidos no ambiente

    em que circulamos, que recriamos com nossos pés, ou patas, como é percebido por Milena Celli quando refaz o caminho das formigas para modelar as páginas em cerâmica de um formigueiro. Atenção minuciosa para os processos de transformação da vida, tal como a observação cotidiana de Luciana Ferreira, coletando casulos, abrigos e dando-nos a sensação de delicadeza que as asas de uma borboleta nos oferecem. Os tocos documentam as transformações na publicação de Dante Karras, com fotografias e anotações. As cinzas e fumaças contam histórias nas peças cerâmicas de Ana Lúcia Canetti, alertam para o desenho e para o registro causado pelas crises, com o olhar atento também para o Cerrado Brasileiro. O termo “antropoceno” sugere a intensificação de mudanças no planeta, provocadas por ação humana. Mas e se déssemos a palavra à terra em sua complexidade? Atentamos para o conselho de Davi Kopenawa: “acho que vocês deveriam sonhar a terra, pois ela tem coração e respira”. Como um ambiente vivo, também os não- humanos podem ter voz e sonhar, e os mais-que-humanos poderiam ser mais do que metade do ambiente. CORALINA, Cora. Em "Cora, coração Coralina". [texto Lúcia Fidalgo e ilustração Fabiana Salomão]. (coleção brasileirinhos). Editora Paulus, 2012. KLEE, Paul. Sobre a arte moderna e outros ensaios. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001. KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu. Palavras de um xamã Yanomami. Tradução de Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. MOMBAÇA, Jota. Não vão nos matar agora. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021. SERRES, Michel. Variações sobre o corpo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. Com o Coletivo H(eras), recuperamos a entidade Anhangá como resistência; no livro-objeto com capa de madeira, percebemos a inerência das misturas nas páginas que são compostas por tramas de fibras naturais e plástico. Enquanto Rubens Takamine faz exalar os aromas que de certa maneira provocaram a colonização deste território, as especiarias guardadas em caixa, ele ainda nos chama para perceber a beleza ondulante do desenho da vida que não aceita linhas retas. Com os livros de artista de Silmara Zago, somos impelidos a reativar as estações — onde elas foram parar? A artista ainda documenta as redes e conexões nos detalhes de fotografia de teias e veios. A página de cerâmica como arqueologia, de Joseli Bezerra, remonta fragmentos com a representação simbólica da tartaruga, como uma peça que transforma os encaixes minerais, necessária aos recifes de corais. Com o jogo proposto pelo livro-objeto de Tânia Bloomfield, a memória é transparente pelo avesso, em pares, na linguagem científica e nos ossos, de espécies em extinção da Mata Atlântica 11 diversidade e pertencimento As histórias com as terras passam, então, a intermediar os corpos, são elas próprias corpos, como afirma Michel Serres: “o corpo do mundo desempenha o papel da memória”. O livro-objeto de Emerson Persona trata desse espaço composto por resquícios, rejeitos, constituindo com isso um corpo, ou campo, a que nos remete o artista, na denominação alternativa para cemitério, como campo santo. No livro- objeto em cerâmica de Guilherme Brollo, o pertencimento está associado às imagens recortadas e transpostas, ora objeto, ora silhuetas humanas, como sombras temporárias que se desfazem no toque e no difícil (quase quebradiço e ruidoso) girar das páginas de cerâmica. Os atravessamentos entre corpo e identidade estão presentes nos livros produzidos pelo Bordas Coletivo, ricas composições que contrastam cores e textura na busca de representações de si, de mundos. No livro-objeto de Vaguelis Silva, o movimento contrário de devir-terra acontece, como aquele nos apresenta a escritora trans Jota Mombaça, pois o sulcar a terra é combativo, ressalta aquilo que não se pode esconder, subentender, manter no subterrâneo do pensamento, porque é luta necessária contínua de reexistir, mesmo que para isso o confronto seja necessário, ao colocar à mostra, na superfície da página, a cicatriz. 10
  7. A mediação cultural já foi entendida como uma forma de

    aquele que conhecia sobre arte repassar seu saber para os leigos e, assim, aproximá-los do mundo artístico. Hoje, se tem muito claro que todos trazemos conhecimentos que facultarão a interação com os objetos artísticos, e a mediação passa a ser vista como um encontro, não só de pessoas, mas de visões de mundo, de lugares e de histórias com as obras. Para Miriam Celeste Martins (2012, p. 13), “O momento da visita à exposição é também o encontro entre o que somos, nossas experiências, nossas referências pessoais e sociais com o que nossos olhos veem, com o que nossos ouvidos ouvem, com o que nosso corpo sente”. Nesse sentido, há quem considere que as informações apresentadas pelos mediadores, assim como as contidas em fichas catalográficas, especialmente expandidas, interferem na apreciação genuína da arte. Ocorre que as pessoas têm diferentes repertórios de experiências e de conhecimentos ou, ainda, há aquelas que gostam de ouvir/ler o que outros indivíduos pensam sobre o que estão vendo e estabelecer comparações sobre as diferentes visões. Precisamos considerar, também, que existem pessoas que, em função de construções simbólicas que reconhecem a arte e a cultura como elementos de distinção e de poder de uma classe sobre a outra, sentem-se intimidadas em visitar uma exposição e, nesse caso, a mediação pode ser o que de fato possibilita o encontro entre público e arte. A MEDIAÇÃO Aceitando a importância da mediação, é necessário refletir também sobre a forma como deve ser desenvolvida. Martins (2014) ensina: “[…] sem negar a transmissão do conhecimento teórico, a mediação cultural deve promover um diálogo com o que se apresenta, com o que está presente”. Mais do que repassar informações sobre os trabalhos expostos, é importante possibilitar aos visitantes, a partir de uma condução respeitosa e provocativa, refletir sobre o que estão vendo, inferir, levantar hipóteses, enfim, fazê-los concluir que as obras de arte são prenhes de sentido e de conceitos e que apreciá-las é muito mais do que rotulá- las de bonitas ou feias. Para tanto, o próprio mediador precisa mergulhar no universo das obras, descobrir os seus segredos mais íntimos, para que, encantado, possa despertar o encantamento do público. Outra questão fundamental: o mediador precisa perceber quem é o público com o qual está conversando e se preocupar especialmente com a linguagem que vai utilizar, pois essa tanto poderá aproximar os visitantes e despertar o interesse, quanto reforçar a ideia de que o espaço da arte não é para todos. Para Bourdieu (2008, p. 21): “A língua não é somente um instrumento de comunicação ou mesmo de conhecimento, mas um instrumento de poder”. Então, é fundamental se comunicar de forma clara e acessível, aproveitando a oportunidade de efetivar um importante processo educativo em espaço não formal do ensino da arte e promovendo um encontro agradável e profícuo, é assim que idealizamos a mediação à exposição itinerante “Livros de Terra”! BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 1989. BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas linguísticas. 2013. ESTEVAM, J. Z. Arte, museu, educação 2016. MEDIAÇÃO EXPOSIÇÃO “LIVROS DE TERRA” Joelma Z. Estevam Cada exposição traz consigo uma singularidade e, ainda que possa ser o resultado de um rearranjo de obras do acervo de uma instituição, isto é, mesmo que estejamos tratando das mesmas obras já vistas em outros momentos, ao serem dispostas de maneiras diferentes, poderão despertar novos entendimentos e/ou novos insights. No caso da exposição itinerante “Livros de Terra”, a experiência do visitante pode ser ainda mais intensificada, na medida em que apresenta objetos artísticos que, embora tenham se tornado mais conhecidos a partir dos anos 1960, com os artistas conceituais, ainda não são tão populares junto ao público: Livros de artista! Essas obras apresentam deslocamentos importantes: a sua “leitura” se contrapõe à estrutura textual dos livros convencionais e, além disso, não estão dispostas em estantes ou bibliotecas, mas são as próprias obras de arte expostas, e aqui é importante ressaltar uma questão fundamental da exposição em questão: os trabalhos podem ser tocados. Sim, uma exposição cujas obras podem ser manuseadas! Essas “novidades” certamente influenciarão na maneira como o público reagirá, dessa forma, é fundamental pensar em um processo de mediação que favoreça a aproximação dos visitantes com a arte, considerando, especialmente, que, para a realidade de uma parte importante da população brasileira, visitar uma exposição é adentrar um território desconhecido, do qual emergem muitos questionamentos: “o que são as obras? Como devo interagir com elas? Por que foram expostas de tal maneira (expografia)? Quem as selecionou e por quê?”. Mas também se trata de uma oportunidade de desfrutar de uma experiência estética, de fruição e de contemplação da arte. Livro de artista, livro-objeto, obra-livro: modalidades relativamente recentes no cenário artístico brasileiro, sinalizando outros territórios poéticos quando se pensa no livro como suporte experimental, abrindo um campo conceitual ainda indeterminado, meio movediço (Edith Derdik, 2013). 12
  8. Livros de Terra: 
 poética do chão, memória e criação

    Sarita Cavalcanti - Coordenadora de Educação Ambiental (Semed/SJP) Neste chão que nos sustenta, úmido, fértil, ancestral, nasceram livros. Não de papel ou tinta, mas de terra viva, marcada por dedos, gestos e lembranças. Na oficina Livros de Terra, o solo virou linguagem. Foram encontros, vivências, escutas silenciosas. Os pés descalços tocaram a memória da infância, As mãos, cobertas de argila e afeto, moldaram o tempo. Cada página, uma pele de barro, Cada camada, um sopro de memória. Ali, o coletivo se fez semente. Reunidos ao redor da terra, evocamos saberes antigos, receitas de família, brincadeiras de roda, vozes guardadas nas dobras do tempo e nos dedos manchados de infância. Entre o toque e a palavra, surgiram dois livros-objeto. Belíssimos em sua imperfeição viva, carregam a densidade do chão e a leveza da partilha. Não se leem com os olhos apenas, mas com o corpo inteiro com cheiro, tato, silêncio. Livros que não se fecham: se plantam. Livros que não se esquecem: germinam. Livros de Terra. 14
  9. Aionara Preis Pesquisadora, artista e professora. Desenvolve trabalhos no campo

    das Artes Visuais, cerâmica, elaboração e execução de projetos culturais e docência. Possui doutorado em Artes Visuais, com a pesquisa “Pedagogia do rio”, mestrado e graduação em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Florianópolis/SC, onde atua como docente nas disciplinas de cerâmica e escultura. É proprietária do Ateliê Terra Moldada, localizado em Meleiro/SC, onde realiza cursos e pesquisas em cerâmica. Rosana Bortolin Artista, professora no Centro de Artes, Design e Moda da Universidade do Estado de Santa Catarina (Ceart/Udesc). Tem experiência na área de Arte-Educação, com projetos de extensão universitária na comunidade. Mestre em Artes pela Universidade de São Paulo (2006). Graduada em licenciatura e bacharelado em Desenho e Plástica pela Universidade de Passo Fundo (1985). Realizou especialização em Cerâmica pela Universidade de Passo Fundo (1997). Cursa doutorado em Arte Contemporânea na Universidade do País Basco. Possui obras em acervos de diversos museus ao redor do mundo. Pesquisou elementos naturais (ninhos e casulos) e imagens cotidianas e do entorno para desenvolver sua poética "Habitar Ninhos", abordando o próprio corpo como ninho. Realiza intervenções urbanas e na natureza, com as pesquisas poéticas "Sagrado-Profano" e "Organismos". O livro-objeto é composto por amostras de terras que são utilizadas nos ateliês das artistas, sendo algumas coletadas nas margens de rio, em vulcão, em barrancos, e que são usadas para modelagem ou como terra sigillata para pintura das peças. Com diferentes densidades, cores e texturas, cada amostra dessas terras remete ao sentido e à origem das matérias, enquanto as frases escritas remetem às etapas que compõem o processo de criação em cerâmica. Os plásticos que envolvem as amostras líquidas terrosas deixam sentir a fluidez, o gesto impresso no movimento, quando viramos as páginas. O trabalho busca conciliar a percepção sensorial do material com relação do contato entre a mão e a argila, entre as forças visíveis e invisíveis que fazem parte e que dão o sentido deste saber-fazer. Eu sou Terra Aionara Preis e Rosana Bortolin Livro-objeto. Terras coloridas, matérias orgânicas e plástico. 15 páginas. 02 × 20,5 × 31,5 cm 2025 18
  10. Ana Elisa de Castro Freitas Artista, ceramista, curadora, poetisa, roteirista,

    bióloga, mestre em Ecologia e doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Docente no curso de licenciatura em Artes no Setor Litoral da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde coordena o Ateliê Experimental de Arte Cerâmica. Tutora do Grupo PET Litoral Indígena PET-MEC-UFPR. Realiza atividades de ensino, pesquisa e extensão com comunidades e territórios indígenas e tradicionais, especialmente coletividades Kaingang e Guarani do Sul do Brasil. Pesquisadora da DECLEN/UCB e do Núcleo de Antropologia Visual/UFRGS. Arquivo Terra Mater propõe uma imersão sensível nas poéticas emergentes de materialidades telúricas oriundas de territórios originários sulcados pelos cursos dos rios Iguaçu e Tibagi. A noção de arquivo remete à perspectiva colecionista que instaura o pensamento científico, alicerçado na sistemática, trazendo a atenção às materialidades, às substâncias e suas transformações. A poética evoca o trajeto percorrido por finas partículas de argilas resultantes do intemperismo de rochas mater da Serra das Almas e da Serra do Mar, mobilizadas e sedimentadas pelas águas dos rios Tibagi e Iguaçu. Afetada pelos pensamentos dos povos originários, a Terra Mater se oferece como terra imaginada, nomeada Gah, pelos Kaingang Pe, e Yvy, pelos Guarani Mbya. Arquivo Terra Mater Ana Elisa de Castro Freitas Livro-objeto. Cerâmica, engobos, desenhos e textos com tinta de solo sobre papel, amostras de terra, caixa de acrílico, pincel, cavalete-maleta de pintura de madeira. 40 × 42 × 52 cm 2025 20
  11. Ana Lúcia Canetti Artista, doutoranda em Artes Visuais pela Universidade

    de Brasília, mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2010), licenciada em Artes Visuais pela Universidade Estadual do Paraná (2007) e psicóloga pela Universidade Federal do Paraná (2004). É servidora do Ministério da Cultura e atuou como servidora no Museu Casa Alfredo Andersen e no Centro Juvenil de Artes Plásticas do Paraná (2008–2020), e como docente na Faculdade de Artes do Paraná (2017–2019). Desenvolve pesquisas poéticas com a materialidade de cinzas colhidas em áreas incendiadas do Cerrado brasileiro, bem como em cerâmica. As peças foram realizadas a partir de técnicas de queima cerâmica em que há a retirada do forno a cerca de 1000 °C, provocando um choque térmico que gera trincas no esmalte aplicado sobre a camada de caulim (raku nu) ou carboniza materiais orgânicos, como pelos de cavalo (horsehair) e farinha de trigo (obvara). Esses elementos vegetais e animais entram em combustão, produzindo fuligens que se inscrevem na cerâmica de maneiras únicas e imprevisíveis. Em um mundo em chamas, o trabalho busca, entre os vestígios do fogo, perceber os recados destinados ao presente, ao aliar a prática artística às matérias terrestres, com uma atenção voltada ao mundo mais-que-humano, para testemunhar, revelar e documentar as ruínas contemporâneas. Assim, a obra propõe uma escrita (um livro feito na terra e pelo fogo), apresentado como um arquivo, e convida o participante a manipular e ler os recados que essas matérias da Terra têm a nos contar. Escritas do fogo Ana Lúcia Canetti Livro-objeto. Cerâmica raku nu, horsehair e obvara, arame, caixa de madeira. 46 peças. 09 × 20 × 20 cm (caixa), 8 × 8 × 1 cm (cada peça) 2025 22
  12. Andressa Lemos Artista, está cursando o bacharelado em Artes Visuais

    pela Universidade Federal do Paraná. Sua pesquisa combina diversas linguagens de pintura, desenho e cerâmica, com interesse na representação de cenas de afeto entre pessoas implicadas no cotidiano. Em sua pesquisa, a artista busca resgatar cenas de afeto de casais no espaço público, associadas a elementos naturais. As cenas representadas no livro começam em tons mais intensos, mas vão se apagando gradativamente nas peças seguintes, até a sugestão de apenas uma sombra. Os espaços públicos com praças, parques e outros espaços arborizados faziam parte do cotidiano, favorecendo a convivência e o contato humano. Contudo, a falta desses espaços depois da Revolução Industrial, com o processo de urbanização acelerada e a redução significativa das áreas verdes, sugere um impacto nas formas de sociabilidade e de aproximação. O livro- objeto, portanto, propõe-se a recuperar simbolicamente essa memória, estabelecendo um diálogo entre o afeto, o espaço urbano e as transformações ambientais que moldaram nossa experiência coletiva ao longo do tempo. Nós dois e o agora Andressa Lemos Livro-objeto. Cerâmica, engobe, vidrado e fio rabo de rato. 8 peças. 6,5 × 10 × 10 cm 2025 24
  13. Bianca Castro Artista visual, bacharela em Arquitetura e Urbanismo pela

    UFPR (2019) e graduanda em Artes Visuais pela Unespar (Embap). Atua como artista visual desde 2016, com interesse em processos materiais, experimentações fotográficas e transformações da forma. Tem experiência em patrimônio histórico, restauro, cerâmica e fotografia analógica. Sua pesquisa poética investiga a relação entre forma, matéria e tempo, explorando processos de constituição dos objetos, transformação e impermanência em trabalhos bidimensionais, objetos, performances e instalações O título faz referência ao poema "Conversa com a Pedra", de Wislawa Szymborska, que trata do desejo de adentrar e entender a matéria. A artista pergunta: “Se pudéssemos folhear um tijolo, o que leríamos?”. No interesse de aproximação com a matéria, a partir do toque e do manuseio, da passagem de páginas, há uma leitura sobre o interior, o desvendar dos mistérios do tijolo. A matéria, porém, permanece muda, pois as páginas são iguais, herméticas, embora possam ser sentidas pelo tato. Dessa perspectiva ambígua surge uma aproximação impossível. O livro-objeto faz parte da pesquisa da artista em desenvolvimento, sobre a investigação do tijolo como objeto, como elemento da constituição material do mundo construído, e como símbolo da relação entre forma e matéria. Conversa com o tijolo Bianca Castro Livro-objeto. Cerâmica e encadernação manual. Argila terracota queimada em baixa temperatura, fio encerado e almofada de cetim 15 × 45 x 25 cm 2025 26
  14. Bordas Coletivo O Bordas Coletivo iniciou suas ações há mais

    de 5 anos, inicialmente com foco em trabalhos manuais que auxiliassem causas sociais, mas, aos poucos, artistas participantes do grupo iniciaram um processo de elaboração de trabalhos relacionados ao bordado e à investigação de processos e materialidades, envolvendo intervenção em espaços e/ou exploração de temáticas específicas, como é o caso da exposição “Identidades Bordadas”, apresentada no Museu de Arte de Blumenau, em 2024, e na Galeria Laila Tarran da Unespar/FAP, em 2025. Como parte da exposição, foram elaborados os livros táteis, que mostram trabalhos dos artistas Cadu Cinelli, Gislaine Mazetto, Leila Alberti, Lisiani Serea, Lucilene Wapichana, Lu Dobrychlop, Marcelo Forte, Max Carlesso, Rafael Codognoto, Sonia Vasconcellos, Suzi Pereira, Talita Thutty e Vavá Diehl. Os livros de artista são realizados em tecido, unidos por uma barra de madeira. As páginas em tecido de algodão cru apresentam na face frontal composições com bordados, colagens e uso de diversas técnicas têxteis, com inclusão de volumes, texturas e materiais alternativos como o plástico. Cada página do livro foi composta por uma pessoa diferente, integrante do Bordas Coletivo, e o tema dos livros perpassa a questão da identidade, de memórias da infância, da família, da vida e da natureza. Ao lado de cada trabalho há um texto em braille com o título da obra. Identidades bordadas: livros táteis Bordas Coletivo Livros de artista. Tecidos, fios, lã, madeira e plástico. 13 páginas de autorias distintas divididas em 2 livros, um com 7 páginas e outro com 6 páginas. 8 × 42 × 37 cm (cada livro fechado) 2024 28
  15. Caim Damico Artista, cursando licenciatura em Artes Visuais na UFPR.

    Em suas últimas produções, busca investigar a configuração espacial das cidades, casas e apartamentos onde residiu, trazendo questões sobre as relações pessoais e familiares com o espaço urbano, em trabalhos como Casa Própria, em que traz a discussão sobre especulação, monopólio e mitologia imobiliária, em contraste com a intimidade da casa e do lar; assim como no trabalho Além dos dentes, o que carrego de você?, onde casas e dentes compõem a superfície de um vaso de cerâmica. Composto por quinze peças de duas faces articuladas, o trabalho permite o manuseio e a reorganização da paisagem e das palavras a cada interação. Levando em consideração os aspectos de trajeto e afeto, os relevos da cidade de Curitiba, baseados nos mapas do Google Maps, são posicionados em paralelo com a escrita do artista, que trata da sua relação com a cidade. A movimentação das partes do trabalho permite intercalar as diferentes percepções de maneira contínua, apresentando como a cidade pode ser ocupada e percebida, dividida e integrada, vivida e representada. sem título Caim Damico Argila Terracota queimada em alta temperatura, óxido de manganês e vidro, barbante; modelagem manual. 01 × 28,5 × 28 cm 2025 30
  16. Claudete Luginieski Artista visual e pesquisadora com bacharelado (2024) e

    licenciatura (2025) em Artes Visuais na Universidade Federal do Paraná, com mobilidade acadêmica, em 2023, na Atlantic Technological University Sligo (Irlanda). Tecnóloga em Design Gráfico (Uninter) e em Produção Cultural (Uniasselvi). Mestranda em Artes Visuais pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Utiliza as linguagens da pintura, do desenho e da fotografia para explorar os conceitos de espaço: natural, rural, pictórico e sensível. Atua como designer e fotógrafa, e participou de produções audiovisuais, como a série O Lugar Antes de Mim, indicada ao prêmio Firenze Archeofilm, em 2019, 2022 e 2023, e a videoperformance Olhos Essenciais, de 2024. A série de amostras de terra coletadas pela artista no sítio de sua família compõe este trabalho. Cada campo de cor corresponde a um pigmento terroso, uma preparação (guache, aquarela ou óleo) e uma menção do local de onde a terra foi coletada. O cotidiano da artista e de sua família, como trabalhadora da agricultura familiar na paisagem rural, conduziram a pesquisa pictórica, de pigmentos terrosos e, nessa pesquisa, conceitos como paisagem, topofilia, espaço, afeto, rural, entre outros, passam a ser acionados. Nomes como Onde faz a curva ou Barranco da entrada funcionam como geolocalizadores para a artista e, ao mesmo tempo, o observador se depara com a imprecisão de referência espacial da origem daquela cor. É exatamente a partir dessa imprecisão que se propõe ativar o repertório imagético, a memória e os sentidos do público. A cor debaixo do chinelo Claudete Luginieski Pigmentos terrosos com médiuns de óleo, guache e aquarela sobre papel. 18 unid 7,5 × 10 cm cada 2025 32
  17. Coletivo (H)Eras O coletivo (H)Eras foi criado em 2025, composto

    pelas estudantes de Artes Visuais da UFPR Astrud Barbosa, Brie, Ana Viajante e Paola Stencel. O grupo se formou a partir da disciplina de Projetos Avançados voltada à Arte Têxtil, ministrada pela professora e artista Tânia Bloomfield. Atuando em Curitiba e Região Metropolitana, visa discutir questões ambientais, territoriais e de gênero, por meio da materialidade e da construção de novos imaginários, com interesse no resgate de epistemologias ancestrais, de questões do subconsciente e de referências textuais-literárias. O título do livro-objeto Anhangá surge da denominação de uma entidade espiritual, inserida na cosmologia de alguns povos originários no Brasil. Um cervo de pelagem esbranquiçada, que vaga pela floresta e desorienta caçadores que atentam contra a fauna. Para as artistas, ele representa um símbolo do equilíbrio da existência humana em um mundo que não é só nosso. Essa definição pode ser interpretada nos conceitos de território, natureza e imaginário, que abrem uma discussão sobre a exploração desenfreada e as guerras de todos os gêneros, em diversos âmbitos sociais. Este é o primeiro livro-objeto do Coletivo, e foi composto a partir da discussão de materiais textuais selecionados por cada participante, com a sugestão de um imaginário coletivo a partir do título, que orientou, posteriormente, a coleção de objetos, imagens e sensações, construindo páginas que, quando reunidas, potencializam-se Anhangá Coletivo (H)Eras Livro-objeto. Tecidos sintéticos e naturais, linha, flores, sementes, folhas, tinta óleo, tinta natural, cola adesiva e cola natural, carvão, papéis, fotografias, carimbos, sacolas, retalhos de embalagens de plástico. 30 páginas. 15 × 24 × 32 cm 2025 34
  18. Dante Karras Artista, bacharelando em Artes visuais na UFPR, bolsista

    de divulgação científica no Interantar. Produz trabalhos artísticos principalmente em desenho, pintura e fotografia. Atua na área editorial como diretor de arte da Revista Adesiva. O livro é como um testemunho, a comprovação e os restos de um personagem que, na sua imobilidade, fluiu e preencheu o espaço. A ação de juntar tocos, lascas e farelos numa reconstrução póstuma da sua matéria e das forças que por fora a moldaram. A narrativa trata de uma relação indivíduo x ambiente; buscando uma perspectiva não antropocentrada para as discussões sobre a paisagem. Testemunho de tocos Dante Karras Publicação. Ensaio visual de fotografia e colagem digital. Livro impresso em capa dura, 60 páginas. 01 × 21 × 29,7 cm 2025 36
  19. Emerson Persona Artista, formado no Curso Superior de Pintura da

    Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), onde também fez pós- graduação em História da Arte Moderna e Contemporânea. Mestre e doutorando em Tecnologia e Sociedade na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Possui ateliê onde oferece oficinas e orientações. Participou de exposições como “A que será que se destina” (MUMA, 2025), “Vermelho” (MUMA, 2023), “Terzo Paradiso” (MON, 2022), “Sensível por natureza” (MON, 2020), “Galeria 31” (2019), Bienal Internacional de Curitiba – 25 anos (2018), entre outras. A expressão “campo santo” vem do latim campus sanctus, empregada primeiramente em Pisa, na Itália, no século XIII; enquanto “necrotério” tinha um significado carregado, “cemitério” era um belo eufemismo. Este caderno traz a ideia de depositório, onde algo se localiza não para ser esquecido, mas para se transformar em outras ideias. Composto por restos de trabalhos meus, fragmentos, cortes, rebarbas, as colagens compõem novas imagens e significados. A terra em suas páginas faz uma analogia com o criar, crescer, desenvolver, viver a partir do fim, transmutar. Sendo assim, Campo Santo é o lugar da memória no subconsciente, acessada no devaneio, que está lá para ser novamente experimentada, mesmo que de forma pendular, ao se esquecer e ao se lembrar. Porque é preciso esquecer e lembrar… Campo Santo Emerson Persona Caderno-objeto. Tinta acrílica e guache, papel, terra, grafite, caneta. 46 páginas 06 × 15,5 × 22 cm 2013 a 2025 38
  20. Francis Rodrigues Artista visual, professor e pesquisador. Investiga a paisagem

    na pintura, fotografia, colagem e desenho. A partir de experiências na paisagem e do uso da colagem, especula e associa visualidades, materiais, suportes e cor. Formado em Artes Gráficas pela UTFPR e em Pintura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), onde também fez especialização em História da Arte. Mestre em Tecnologia e Sociedade pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e doutorando em Poéticas Visuais na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/ USP) O trabalho foi realizado a partir de um exercício de modelagem, de sentir a argila, entender a sua resistência e compreender as formas geradas nesse contato. As fotografias do processo foram manipuladas digitalmente e impressas, intercaladas com desenhos e colagens. No fichário, as paisagens, superfícies e entranhas da terra se confrontam com os meios tradicionais e as abordagens digitais da imagem, explorando a intersecção entre o natural e o artificial, o tátil e o digital, assim como o tridimensional e o bidimensional. Argiloso – nos limites da terra Francis Rodrigues Livro de artista/fichário. Impressão sobre papel, colagem, giz pastel oleoso e lápis de cor sobre papel artesanal com sementes de rúcula. 27 páginas. 03 × 19 × 23 cm 2025 40
  21. Giovana Tartas Artista, pesquisadora e produtora cultural, natural de Chapecó,

    Santa Catarina. Reside em Curitiba desde 2021, e está cursando Artes Visuais na UFPR. Em suas propostas, explora temas relacionados a transitoriedade, matéria, carne e memória, materializando sua pesquisa na interseção entre pintura e cerâmica. Participou das exposições “Lava, pó e nada”, na Galeria DeArtes, “Sobre viver a ruína”, no SESC Paço da Liberdade, Curitiba, do Projeto Permanente de Desenvolvimento e Experimentação em Artes Visuais (PPDEAV) do Sesc, entre outras. O livro foi desenvolvido a partir da investigação de fotografias de familiares das décadas de 1970 e 1990, onde são registrados aspectos do cotidiano rural e da transformação da paisagem agrícola do norte do Rio Grande do Sul, especificamente da região de Erechim, cidade de origem da família da artista. O trabalho propõe refletir sobre memória, transitoriedade e espaço, temas que atravessam tanto a matéria cerâmica quanto as imagens, como um pedaço do território, do tempo e da permanência. O filósofo italiano Rosário Assunto define a paisagem não apenas como um dado natural ou visual, mas como uma construção cultural que expressa valores, sentimentos e memórias. A cerâmica, nesse contexto, é paisagem: ela a representa e simultaneamente a encarna. Sem título Giovana Tartas Cerâmica e fio de juta. Argila terracota e branco shiro, engobe terracota, óxido de ferro, vidrado, queima em baixa temperatura (1000 °C) e tinta acrílica. 5 páginas. 7 × 16,5 × 16,5 cm 2025 42
  22. Glaucia Flügel Artista visual, nasceu e reside em Curitiba/PR. Formada

    em Escultura, com Especialização em História da Arte do Séc. XX, ambas pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap, 2001). Desenvolve suas pesquisas em cerâmica, gravura, desenho, fotografia e bordado. Participou de exposições, recebeu prêmios e foi contemplada, em 2008, com a Bolsa de Produção Para Artes Visuais da Fundação Cultural de Curitiba. Ministra aulas de escultura em cerâmica no seu ateliê. “A folia deste livro, de ser só um exemplar, é abrir ao acaso: sempre fato singular.” (Leonel Magalhães Junior, 1/12/1982, in memoriam) O livro de artista é composto por fotografias que registram composições criadas sobre madeira e tecido. Nessas superfícies, a artista dispôs figuras em pó de argila, flores, fragmentos de cerâmica, palavras manuscritas e outros elementos coletados em seu ateliê. A proposta parte da apropriação de materiais que seriam descartados, ressignificando-os em uma poética visual que entrelaça imagens e textos. Trata-se de uma pesquisa ainda inicial nessa linguagem, mas que dialoga com experiências anteriores em cerâmica, gravura e fotografia, onde as relações entre a palavra e a imagem estão presentes. Sem título Glaucia Flügel Livro de artista. Fotografia impressa em papel hahnemühle. 20 páginas. 0,5 × 18 × 21 cm 2025 44
  23. Guilherme Brollo Artista, curador, editor-chefe do Jornal Sem Gosto, licenciado

    e bacharelando em Artes Visuais na UFPR. Realizou exposições de pintura, cerâmica e livro de artista, desde 2022, a partir da representação da imagem enquanto sagrado, erótico e memória, principalmente baseada em sua vivência. O livro faz parte da série “Virar a página”, que busca olhar o passado através de imagens guardadas no celular do artista. O trabalho traz representações de alguns objetos e palavras como: “pertencimento”, “coisa”, “vazio” e “fuga”, com transferência e impressão das imagens que apresentam cenas de afeto, autorretrato e o interesse de reconhecer a própria identidade no entorno. Em busca de um sentido Guilherme Brollo Livro de artista em cerâmica, realizado em argila branca com óxido de magnésio, baixa temperatura, fio de cobre. 6 páginas. 10,5 × 23,5 × 20 cm 2024 46
  24. Joseli Bezerra Artista visual curitibana, graduada em Artes Visuais pela

    Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap) e especialista em Didática do Ensino da Arte pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Participa de exposições presenciais e virtuais no Brasil e no exterior. Recebeu menção honrosa na Mostra Visões da Arte com a obra Sêmem_AR. Sua produção propõe um olhar poético sobre o cotidiano e suas camadas invisíveis, transitando entre a cerâmica e a pintura, com ênfase na experimentação de materiais e processos que envolvem memória, tempo, afetividade e representação do feminino. O trabalho propõe uma experiência sensorial, contemplativa e interativa sobre a interferência humana nos ecossistemas naturais, composto por uma placa cerâmica fixa, que representa um ambiente em desequilíbrio — um leito de coral impactado, silenciosamente em ruína. Dentro desse ecossistema simbólico, evoca-se a figura da tartaruga-marinha, espécie essencial à saúde dos recifes de coral. Sua presença é metáfora de harmonia, sua ausência, de colapso. Esses fragmentos, cascalhos, sem palavras ou inscrições, simbolizam resíduos, ruídos e excessos, eles são, ao mesmo tempo, presença e perturbação. O público é convidado a interagir movendo os cascalhos, retirando ou recolocando-os sobre a composição. Esse gesto ativa uma reflexão silenciosa: cada intervenção altera o todo, sugerindo a delicada relação entre ação humana e ambiente natural. Verso Sedimentado Joseli Bezerra Livro-objeto. Placa cerâmica, folha de cobre, cascalhos assimétricos, tartaruga de bronze. 4 × 53 × 22,5 cm 2024/2025 48
  25. Laura Franciscato Artista e professora de artes da rede estadual.

    Graduada em licenciatura em Artes Visuais em 2023 pela UFPR, com pesquisa na área da cerâmica afrobrasileira, bordado e fotografia. Participou de exposições em Curitiba e Rio de Janeiro e atuou na ONG INCANTO, com crianças e jovens em vulnerabilidade social, tendo participado com eles de duas exposições, como orientadora de projetos artísticos, no Salão de eventos do Museu Oscar Niemeyer. No caderno e na panela que compõem este trabalho, memória, ancestralidade e cozinha estão intimamente conectadas. O caderno original de receitas copiadas à mão com comentários, que a artista ganhou de sua avó como presente de aniversário de 15 anos, é acompanhado por uma panela de barro, onde foi transcrita parte dessas receitas, copiando a ortografia da avó com tinta natural de páprica e caneta esferográfica. O trabalho apresenta questões sobre ancestralidade, pois, para a artista, a maior herança deixada pela avó, que já faleceu, foram seus ensinamentos, dentro e fora da cozinha, sendo lembrados todos os dias. A memória continua viva através da comida e das palavras escritas na panela realizada com argila, sendo a terra a principal referência sobre o ciclo entre morte e vida. Herança Laura Franciscato Escultura em argila vermelha, caderno com receitas, caneta esferográfica preta e tinta natural feita com páprica. 14 × 28 × 25 cm 2022 50
  26. Luciana Ferreira Artista e professora associada na UFPR (Setor Litoral)

    desde 2007, no curso de licenciatura em Artes. Participa de exposições e mostras individuais e coletivas desde 1990, com produções em desenho, pintura, fotografia e objetos tridimensionais, tendo desenvolvido inúmeros projetos de ilustração e design gráfico. Atuou como professora de Artes em instituições de ensino público e privado (no ensino fundamental e médio) e como professora particular de pintura, desenho e escultura. O termo “alvéolo” se refere a uma cavidade oca, bacia ou tigela. Na natureza, existem infinitos e diferentes tipos de alvéolos, que estão presentes em todos os organismos: seja o corpo humano, as plantas, os animais, os insetos ou os fungos. O que há de comum entre os diferentes tipos de alvéolos é o fato de serem sempre estruturas que abrigam e protegem outras estruturas. Este livro de artista traz essa conotação de receptáculo que abriga ideias do/sobre o mundo e suas coisas todas, sendo produzido com materiais encontrados e coletados pela artista em suas caminhadas diárias. Alvéolos Luciana Ferreira Livro-objeto. Papéis encadernados e fixados em suporte de madeira. Madeira, bambu, cascas, sementes, casulo, folhas, flores, fios e papéis reutilizados. 40 páginas. 6,5 × 11 × 28 cm 2025 52
  27. Retta Rettamozo Luiz Carlos Rettamozo, conhecido como Retta Rettamozo ou

    apenas Retta, é artista, publicitário, diretor de criação, jornalista, quadrinista, roteirista, ilustrador e compositor. Desde os anos de 1960 participa de bienais e salões no Brasil e exterior. Como publicitário, destacam-se as logomarcas do Colégio Positivo e campanhas para Bamerindus, O Boticário, entre outras. Na música, realizou os álbuns Música Boa pra cachorro e Pum Catapum Timbum, além de inúmeras composições musicais em parceria e para comerciais. As séries que propulsiona em oficinas com os Coletivos “ComoVer a Terra” e “ComoVer Curitiba” foram realizadas a partir de 2005, com participação no 65º Salão Paranaense. Textos de Luiz Rettamozo [e outros]. Edição: Audrey Lilian Farah. Tradução: Fabio Alberto Silva. Ilustração: Luiz Rettamozo. Projeto gráfico: André Coelho. Publicação: Arte Editora, Curitiba. PROFICE/SEEC/PR. Incentivo da Secretaria de Cultura do Paraná. Apoio da Copel. Realização da Galeria 42! PONTÃO de Cultura de Curitiba e Oliveiras Produção Cultural. ISBN 978-85-65515-28-3. O livro traz, segundo o artista, “uma poética pé no chão visto de cima”. Esta publicação documenta uma série de pinturas e oficinas do Coletivo ComoVer, realizadas entre 2005 e 2017, com textos de diversos autores e do próprio artista. Nesta série, o artista, em conjunto com diversos grupos formados no Paraná e em Santa Catarina, desenvolve pinturas de paisagens vistas de cima, confeccionadas com tinta de argila e tinta acrílica. As pinturas de grande formato trazem diferentes leituras compositivas do chão, muitas realizadas a partir da frottage do pavimento, com adição de sombras percebidas e de cenas lúdicas. O livro é acompanhado de óculos 3D CromaDepth, que alteram a cromatização do equilíbrio das cores das fotografias impressas, permitindo um interesse renovado na profundidade e na transformação do olhar. ComoVer Retta Rettamozo Livro. Impressão colorida, papel couché e óculos 3D CromaDepth. 76 páginas. 6 × 26,8 × 35,7 cm 2017 54
  28. Maikel da Maia Artista, desenvolve pesquisas sobre as relações práticas

    e conceituais possíveis entre gravura, desenho e publicação. Bacharel em gravura pela Escola de Música e Belas Artes. Entre 2003 e 2020 frequentou o ateliê de gravura em metal do Museu da Gravura cidade de Curitiba, Solar do Barão. O caderno quadriculado em uma das páginas apresenta a figura de uma mão aberta, carimbada em diferentes lugares nas páginas seguintes, em folhas brancas. A cor azul da tinta do carimbo e das linhas quadriculadas traçam um diálogo, assim como as diferentes posições das mãos, que parecem ensaiar aproximações, gestos e toques, mesmo que se trate de apenas uma figura repetida e alternada. Segundo o artista, o trabalho trata de como seria possível habitar um país inventado com as mãos. Minha geografia Maikel da Maia Livro de artista, carimbo e encadernação. 6 páginas. 23 × 17,5 cm 2015 56
  29. Maria Helena Saparolli Artista, curitibana, com formação em Artes plásticas

    pela Faculdade de Artes do Paraná, em 1984. Participou de salões de arte, exposições individuais e coletivas, residências artísticas no exterior, com reconhecimento e premiações em âmbito nacional e internacional. Sua pesquisa envolve objetos utilitários e escultóricos em vidro, bronze, painéis em azulejo, cerâmica e concreto, sendo a cerâmica o seu principal meio de expressão. Atuou como orientadora de cerâmica e vidro no Atelier de Escultura da Fundação Cultural de Curitiba de 1998 a 2012. É membro da Academia Internacional de Cerâmica (AIC), com sede em Genebra, Suíça, desde 2019. O trabalho é composto por quatro conjuntos de livretos em cerâmica, sendo que cada conjunto é unido por um fio vermelho que direciona o olhar para toda a composição. Os livretos estão dispostos na caixa de papelão, em posições distintas, e remetem à ideia de arquivo ou diários guardados, cujo conteúdo torna-se inacessível, sendo possível apenas visualizar suas capas, realizadas com impressões fotocerâmicas, que convidam o espectador a se conectar com suas próprias experiências e memórias. O grampo em metal reforça o sentido escultórico de livro, assim como o formato e o modo de acomodar os objetos no espaço. Este trabalho faz parte da pesquisa da artista já apresentada na obra Palavras em Balanço, e da série “Impressões e Memórias”, ao propor a repetição e ressignificação de lembranças, com conteúdos modificados pela memória recente. Livretos Maria Helena Saparolli Caixa de papelão, grés cerâmico, impressões fotocerâmicas, barbante, grampos de aço. 21,5 × 31 × 23 cm 2025 58
  30. Marta Castelo Artista, licenciada e doutora em Escultura pela Faculdade

    de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, é professora no curso de Escultura da mesma Faculdade e membro da unidade de investigação VICARTE. Os seus projetos artísticos centram-se na escultura cerâmica e no uso da terra crua. Realizou residências artísticas nas Oficinas do Convento em Montemor-o-Novo entre 2006 e 2023. Foi selecionada para os Prêmios Anteciparte, em 2006, e tem participado em diversas exposições individuais e coletivas desde 2008. Destas, destacam-se “Mater” (Pavilhão Branco, Lisboa) e “Dialogue in Clay” (Batagianni Gallery, Atenas), ambas em 2023, e em 2024 a exposição Enquanto Isso | Mean While (Museu de Arte Contemporânea do Chiado). Dos projetos editoriais, destaca-se o livro PAPEL, que integra as coleções do Centro Georges Pompidou, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação EDP. Autoria: Marta Castelo. Designer: Tomás Gouveia. Texto: Rita Gaspar Vieira. Tradução: Sara Belo. Impressão e acabamento: ACD Print. Impresso em 2023, Portugal. ISBN 978-989-33-4588-7. 132 páginas. O livro traz o registro fotográfico de diversos momentos de uma instalação que foi realizada no ateliê da artista, local que anteriormente havia sido a loja de seu avô. A composição de tijolos de barro, argilas de diferentes cores, úmidas e secas, dialoga com o padrão visual presente no ladrilho hidráulico. O jogo de composição, do processo construtivo e da memória de infância reativada pela artista neste trabalho, é ressaltado no texto de apresentação do livro por Rita Gaspar Vieira. Ao folhearmos o livro, podemos acompanhar o fluxo desse processo delimitado no tempo. Construção Contínua Marta Castelo Publicação de artista. Impressão offset. Costura aparente. Capa: Papel Fedrigoni Special Papers – Arena smooth Natural 350 g/m2; miolo Fedrigoni Special Papers – Arena smooth Natural 140 g/m2. Costura aparente. 132 p. 1,5 × 20 × 27,2 cm 2013-2023 60
  31. Milena Celli Formada em Design de Produto, trabalhou com fotografia

    por oito anos, e há mais de dez anos se dedica à cerâmica. Tem como mestres Elizabeth Titton, Priscila de Ferrante, Alan Max e Amanda Magrini. Possui uma marca autoral de cerâmicas e, desde 2024, dedica-se à produção de cerâmica no campo da escultura. Em fevereiro de 2025, participou da residência no Museu Alfredo Andersen, Curitiba, onde continua sua pesquisa na área da cerâmica artística. No trabalho observamos uma série de páginas de cerâmica empilhadas, realizadas em cores diferentes, que faz referência ao interior de um formigueiro imaginado. Neste livro, podemos mover as camadas, uma a uma; nelas, os relevos, espaços vazios e côncavos permitem encaixes, na última página, a frase inscrita, “Não pise nas for(a)migas”, redireciona nosso olhar, reconduzindo a uma leitura minuciosa dos trajetos e pontilhados, quando voltamos as placas empilhadas na forma inicial. O trabalho propõe a reflexão sobre a importância de olhar para a complexidade da natureza e busca ressaltar o respeito por todo tipo de ser vivo. Nesse sentido, a artista pergunta: “Quantas camadas desde a superfície precisamos retirar para observar o que é realmente essencial para a vida existir em nosso mundo?”. A Trilha Milena Celli Livro-objeto. Cerâmica de baixa e de alta temperatura. 5 páginas empilháveis. 11 × 23 × 18 cm 2025 62
  32. Nicole Christine Artista, bacharel em escultura pela Escola de Música

    e Belas Artes do Paraná (2019). Especialista em Gestão Cultural pelo Senac. Atua como professora de cerâmica e como professora particular de artes. Em sua atuação enquanto professora e artista, busca dar visibilidade ao cotidiano, do que antes parecia invisível. Sua pesquisa poética abrange a investigação das diversas linguagens e de relações, transitando por diferentes técnicas. O livro, composto por peças em cerâmica coladas sobre papel, visa apresentar de modo questionador e atento um elemento comum das cidades: o calçamento. Foi realizado com a técnica de transferência cerâmica com engobe, desenvolvido em colaboração com a disciplina do mestrado de Cerâmica Gravada, ministrada pela professora Carina Weidle. O trabalho foi desenvolvido a partir do caminhar, uma prática recorrente da artista, que olha para baixo com constância, como um ato que leva ao questionamento sobre o solo que pisamos. O que estrutura esses calçamentos? Quem escolheu esse modelo ou aquele? Aquilo que está no subsolo e como o subsolo é fundamental para sustentarmos nossas vidas aqui sobre a terra. Este trabalho dialoga com a pesquisa poética da artista, que pesquisa e fala sobre a forma humana de habitarmos o mundo. Calçadas Nicole Christine Livro-objeto. Papel, cerâmica gravada com engobe. 12 folhas; 21 páginas. 11,5 × 15 × 12,5 cm 2025 64
  33. Rubens Takamine Artista, pesquisador de imagens e de cheiros, professor

    e curador autônomo. Doutorando em Tecnologias da Comunicação e Estéticas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Poéticas Interdisciplinares pela mesma instituição. Desde 2017, participa de mostras, festivais de cinema e exposições em espaços como Largo das Artes (2024), Centro de Artes Helio Oiticica (2024), Solar dos Abacaxis (2023), Centro Cultural Justiça Federal (2023), Refresco (2023), Fábrica Bhering (2022) e EAV Parque Lage (2021). Pesquisa as relações entre arte, ecologias e espiritualidades, abordando a impermanência e ciclicidade dos sistemas vivos em danças com plantas, pedras, pessoas, barro e objetos em desuso. Atualmente, é diretor artístico do programa xow.rumi da residência internacional Capacete. O trabalho é apresentado na caixa, com o desenho de uma meia lua de cravos colados na tampa, que pode ser aberta pelo público. Dentro, há uma série de papéis quadrados organizados em um bloco central, onde há impressão de uma foto do artista e escritos. Ao redor dos papéis estão os cravos, canelas e anises misturados, que permitem uma dimensão olfativa complementar à leitura. Para o artista, a proposta surge da constatação hilária de que a forma do quadrado perfeito não existe na natureza. São as elipses, espirais e fractais que revelam a multiplicidade das formas orgânicas, tendendo a se arredondar ou espiralar. O conteúdo da caixa pode ser manipulado com cuidado, sendo recomendado fechar a caixa para manutenção dos aromas. Não há quadrados na natureza Rubens Takamine Livro-objeto. Caixa de MDF, cravo, canela em pau, anis-estrelado e impressões sobre papel. 20 páginas. 6,5 × 20 × 20 cm 2025 66
  34. Onde foi parar o nosso tempo? O trabalho é uma

    apropriação do livro impresso Os pensamentos azuis, de Luiz Coronel, da editora Garatuja, com interferências realizadas pela artista em técnica mista, como bordado, pintura e colagem. O livro de artista discute como as estações do ano e o nosso tempo interno e externo estão enraizados na terra, no barro, em suas origens. Tal como sementes que surgem, crescem e logo desaparecem. Onde foi parar o nosso tempo? (Entre) texturas e nervuras Silmara Zago Silmara Zago Livro de artista. Interferência mista sobre livro antigo impresso. Linha, acrílica, monotipias, giz pastel. 22 páginas. / 16 fotos coloridas, impressas em papel couché fosco com gramatura 200. 05 × 22 × 30 cm 02 × 12 × 12 cm 2020 2019 68
  35. Coleção de livros de terra Grupo de Professoras de São

    José dos Pinhais Livros de artista. Tecido, tinta de terra, barbante, fios, plantas, papel kraft, papel duplex e cerâmica com engobe. 8,5 × 40 × 35,5 cm (conjunto) 2025 71 Silmara Zago Natural de Campinas/SP, vive em Porto Alegre, é bacharela em artes visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pedagoga. Depois de 30 anos de magistério, rompeu as quatro paredes da sala de aula e se apropriou das diferentes linguagens artísticas para construir seus trabalhos, que incorporam fios, tecidos, aquarela, pintura, cerâmica, entre outros. Participou de exposições como “Museu Baldio”, na Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre (2021), “Do branco ao cinza, do ocre ao vermelho… todas as cores da cerâmica”, na Casa das Artes Villa Mimosa, em Canoas (2022), "Prova de Artista – impressões em relevo”, no espaço Evelyn Ioschpe, Casa de Cultura Mário Quintana (2023), e “Poéticas de formação – módulo I”, na Galeria da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, da UFRGS, em 2025. (Entre) texturas e nervuras No universo das tramas do olhar, nervuras e texturas formam um grande rizoma. Raízes, folhas, fios e gotas de orvalho se entrelaçam, tecendo os olhares, a sensibilidade e a vida que está por vir.
  36. Professoras São José dos Pinhais A coleção de livros foi

    realizada de maneira colaborativa pelo grupo de professoras do ensino público de São José dos Pinhais, em sua maioria atuantes no ensino infantil, durante a oficina ofertada de março a junho de 2025, pelo projeto de extensão Espaços em comum: práticas artísticas em cerâmica, com apoio da Secretaria de Educação de São José dos Pinhais. Cada participante contribuiu com pinturas, modelagens em cerâmica, costura e composição da proposta. As infâncias e as terras, 2025. Tecido, tinta de terra, fio, voal e plantas. 10 páginas. Medidas: 1 × 33 × 26 cm. Autoras: Priscila Lima, Raphaela Zimmermann, Renata Dutra e Sandra Ferreira. Tema: os diferentes jogos da infância, a amarelinha, balanço na árvore, descobertas dos cheiros, lembranças que acompanham experiências de escritas e desenhos na terra. Somos terra, 2025. Tecido, tinta de terra, fio, gravetos, papel kraft e duplex. 10 páginas. Medidas: 2 × 37 × 24 cm. Autoras: Camila Santoro, Débora Esther M. Xavier, Denisi de Fátima Cordeiro, Simone Aparecida de Almeida e Vanessa Cavalheiro. Tema: a partir da memória de pertencimento indígena, o livro propõe uma atenção voltada para a diversidade e a capacidade transformadora da educação, com representações de padrões gráficos e figurações. O livro é amarrado com um graveto na lateral. Participaram também da oficina: Cristiane Macedo, Danielle Abade, Izabel Silva, Kelly Lamp, Natalia Juzcok, Patricia Souza, Tatiane Macie e Vanda Lopes. Professoras São José dos Pinhais A coleção de livros foi realizada de maneira colaborativa pelo grupo de professoras do ensino público de São José dos Pinhais, em sua maioria atuantes no ensino infantil, durante a oficina ofertada de março a junho de 2025, pelo projeto de extensão Espaços em comum: práticas artísticas em cerâmica, com apoio da Secretaria de Educação de São José dos Pinhais. Cada participante contribuiu com pinturas, modelagens em cerâmica, costura e composição da proposta. Foram realizados cinco livros em tecido e tinta de solo, que podem ser lidos de maneira independente e complementar Paisagem da terra, 2025. Tecido, tinta de terra, fio e cerâmica com engobe. 11 páginas. Medidas: 7 × 30 × 23 cm. Autoras: Juliana Vicelli, Karine Ayumi, Luciane Hirano, Danevir Siqueira e Sônia Rzeszutko. Tema: uma montanha com cenas pintadas a partir de diferentes perspectivas; nas páginas há pequenos seres de cerâmica colados, objetos que podemos tocar, como formigas, pássaros e insetos. Esses seres habitam a paisagem, tornando-a encantada. Criança Raiz, 2025. Tecido, tinta de terra e fio. 11 páginas. Medidas: 2 × 33 × 24 cm. Autoras: Fernanda Rocha, Lariane Brero e Lu Duarte. Tema: o livro trata da relação com o espaço, o caminho para a escola desperta possibilidades imaginativas, desde o chão, a rua (em uma página desdobrável), as amizades e brincadeiras, a natureza em diálogo com o processo de reconhecimento de si no mundo. Terra, 2025. Tecido, tinta de terra, fio e papel kraft. 10 páginas. Medidas: 3 × 40 × 36 cm. Autoras: Cristina Theulen, Danielly Gomes, Elvira Santos Vanessa Cruz. Tema: as diferentes cores, formas e texturas permitem uma associação aberta com os espaços vivenciados, ativam a sensibilidade e provocam a curiosidade. 72
  37. A proposta de realizar uma colcha de retalhos com as

    páginas de um livro remete às lembranças reconfiguradas sobre as vivências e aprendizados com a terra. A leitura ativada pelos objetos é organizada a partir de fragmentos, podendo ser sobre a colcha, como quando deitamos no chão, na cama ou, ainda, no seu entorno, de maneira distanciada. A colcha pode ser aberta e estendida pelo público, para leitura conjunta, ou então ser visualizada parcialmente dentro do baú de madeira, decorado com tecelas de cerâmica, permitindo-nos perceber a importância deste objeto, mantido com cuidado e carinho. Professoras São José dos Pinhais O trabalho foi realizado de maneira colaborativa pelo grupo de professoras do ensino público de São José dos Pinhais, em sua maioria atuantes no ensino infantil, durante a oficina ofertada de março a junho de 2025, pelo projeto de extensão, com apoio da Secretaria de Educação de São José dos Pinhais. Cada participante contribuiu com pinturas, modelagens em cerâmica, costura e composição da proposta. Participaram da confecção deste livro-objeto: Andréia Schmidt, Ariane Scheerer, Carla Mader, Daiane Lisboa, Dany Thoe, Deni Marel, Ed Oliveira, Edineia Matozo, Elisangela Melo, Iza Cardoso, Josi França, Josiane Souza, Kamyla Maria, Kelly Bocardi, Kel Silveira, Laura Machado, Léia Maia, Marcia Beger, Renata Nart, Rosana Zietek, Vivian Barbosa. Legado de terra Grupo de Professoras de São José dos Pinhais Livros de artista. Tecido, tinta de terra, barbante, fios, plantas, papel kraft, papel duplex e cerâmica com engobe. 28,5 × 34 × 51 cm 2025 74
  38. Tânia Bloomfield Artista visual, com diversas exposições artísticas realizadas, no

    Brasil e no exterior. Professora do departamento de Artes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), desde 1998. Doutora e mestra em Geografia pela UFPR. Especializada em História da Arte do séc. XX pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap). Graduada em Educação Artística pela UFPR e em História pela Universidade de Brasília (UnB). Membro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (Anpap). Pesquisadora com interesse voltado às interfaces entre os campos da Geografia e das Artes Visuais, especialmente no que se refere às práticas artísticas no urbano e às linguagens artísticas contemporâneas. O trabalho propõe uma reflexão sobre o impacto antrópico no meio ambiente, especialmente no que diz respeito à extinção de espécies inteiras da flora e da fauna do estado do Paraná, Brasil. A ironia presente no trabalho, que alude ao “jogo da memória”, coloca em relevo as relações distantes e alienadas de grande parte da humanidade com relação ao meio ambiente sob o jugo das injunções capitalistas que, ao exaurirem o planeta, terão deixado, para as futuras gerações, somente a memória do que um dia existiu. O jogo da extinção Tânia Bloomfield Livro-objeto. Duas caixas de madeira preta; 42 páginas em papel e plástico polaseal, com impressão de nomes científicos de diferentes espécimes e respectivas ilustrações; duas fitas de tecido vermelhas. 2 caixas. 2,5 × 15 × 29 (cada) 2025 76
  39. Vaguelis Silva Artista visual, ceramista e pesquisadora, nascida em Paranaguá/PR,

    está cursando Artes Visuais na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Sua prática artística transita por múltiplas linguagens, com ênfase na cerâmica. Em sua produção, investiga e expressa as vivências de feminilidades transexuais e travestis, buscando ampliar os espaços de escuta, diálogo e questionamento sobre corpos dissidentes, com propostas que tensionam normatividades e afirmam outras formas de existência. No trabalho estão inscritas palavras de cunho ofensivo: “Traveco”, “Aberração”, “Aids ambulante”, entre outras. Como artista travesti, há o interesse em ressaltar as expressões que marcaram, e ainda marcam, a trajetória de violências verbais direcionadas a travestis e mulheres transexuais. Ao manipular esse livro, o público é convidado a tocar o material cerâmico, mas também a dureza da história que ele carrega. Ao utilizar essas palavras, a brutalidade passa a ser exposta em sua forma crua, desnaturalizando o silêncio e forçando o olhar a reconhecer o que tantas vezes se tenta apagar, para combater o preconceito. Cada palavra cravada é como uma cicatriz, um testemunho das formas simbólicas e cotidianas que caracterizam a transfobia social. O corpo do Insulto Vaguelis Silva Livro-objeto. Cerâmica de baixa temperatura em argila branca; marcador de página com lâminas metálicas e argolas. 6,5 × 17 × 21 cm 2025 78
  40. Patrocínio Execução Realização A VISO: as informações expressas neste material

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