A ironia e as relações próximas

A ironia e as relações próximas

SAPPIL - Seminário dos Alunos dos Programas de Pós-Graduação do Instituto de Letras / UFF

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Letícia Stallone

October 22, 2012
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Transcript

  1. 1.

    A ironia e as relações próximas SAPPIL – UFF Aluna:

    Letícia Rezende Stallone Orientador: Prof. Dr. Fernando Afonso de Almeida Setembro, 2012
  2. 2.

    O dilema do porco-espinho Complexidade de equilibrar as necessidades de

    envolvimento e de independência nas relações próximas. Atos paradoxais: brincadeira, provocação, ironia, fofoca e etc. Ao mesmo tempo em que possibilitam o desentendimento, dão às interações algo de gratificante e prazeroso.
  3. 3.

    Apresentação do estudo Relações de baixa distância social Questões de

    polidez e face Brown e Levinson (1987) ↓ Modelo interacional de comunicação e a questão do afeto
  4. 4.

    A comunicação Modelo de decodificação: “o falante codifica significados usando

    formas linguísticas que o ouvinte depois decodifica para recuperar o significado do falante”. “the most prevalent image of understanding is the intersection among overlapping sets that represent the mental states of interactants… Despite wide agreement that perfect overlap is unobtainable it remains the theoretical idealization of successful communication, and as such generates irresolvable quandaries about whether or to what degree communication has taken place” (Arundale, 2008, p. 238)
  5. 5.

    Modelos interacionais O significado e a interpretação são estados psicológicos

    iniciados, confirmados e modificados em tempo real, alcançados em interação na presença dos participantes. Assume-se uma base empírica e não mais filosófica. A comunicação envolve alcançar tanto a semelhança quanto a diferença nos estados psicológicos de falante e ouvinte: os participantes não compartilham sistemas de código ou léxico idênticos, portanto, a comunicação como estados psicológicos idênticos entre falante e ouvinte é altamente improvável. As diferenças de interpretação ocorrem através do mesmo processo interacional que gera as semelhanças. Nestes modelos, a diferença de interpretação não é uma falha ou um colapso da comunicação, ao contrário, é um fenômeno empiricamente evidente na interação, portanto, deve ser explicado e não ignorado. (Haugh, 2009).
  6. 6.

    Variáveis sociais Para decidir o tipo e o grau de

    polidez que será utilizado, o falante deve levar em consideração três variáveis sociais: a distância social que o separa do ouvinte, a relação de poder entre ambos e o grau de imposição do ato de fala em questão. Críticas: A variável D deve considerar também a questão do afeto. “A falta de um objetivo instrumental em relações entre amigos gera um aumento de polidez, o que não aconteceria se só fosse levado em conta a distância social” (Slugoski, 1985).
  7. 7.

    O afeto Marcas de afeto como valores taxêmicos (Ochs &

    Schieffelin, 1989). Comunicação emotiva: disposições avaliativas, comprometimento de aprovação, posicionamentos decisórios, orientações relacionais, graus de ênfase etc. Comunicação emocional: vazamento espontâneo e não intencional ou uma explosão de emoções em discurso
  8. 10.

    A ironia Concepção clássica: A ironia é como uma ‘simulação’,

    em que elogiar é na verdade criticar ou destruir, com o objetivo de obter uma reação do interlocutor. Descreve-se uma realidade ‘não real’ em que se distancia daquilo que se pretende, dizendo exatamente o seu oposto. Compreende-se, dessa forma, a ironia como o sentido figurado, referente ao contrário daquilo que se pensa. Caráter interacional da ironia: consiste em “uma sinalização de avaliação, quase sempre pejorativa. Uma mudança entre significações, mas também um julgamento, em geral, uma expressão elogiosa que transmite uma atitude de avaliação negativa” (Hutcheon, 1981).
  9. 11.
  10. 12.

    A teoria da menção (Sperber e Wilson) A ironia é

    um fenômeno metalinguístico que representa uma atitude do falante sobre o mundo. Para que a ironia seja entendida, é preciso que fique claro que o locutor se distancia daquilo que é enunciado, chamando atenção para o enunciado em si e não para aquilo de que o enunciado trata. “É uma ideia sobre uma ideia”. Uma enunciação que exprime não necessariamente o oposto do que o enunciado diz “literalmente”, mas uma opinião, um ponto de vista que desqualifica um enunciado ou ideia expresso ou evocado anteriormente. Eco distante e vago: relaciona-se a uma ironia sem alvo determinado ou próximo e imediato: refere-se àquele com quem o interlocutor está em interação.
  11. 13.

    A teoria do efeito poético (Blakemore) O efeito poético refere-se

    à “capacidade que um texto oferece de continuar a gerar diferentes leituras, sem nunca se consumir de todo” (Eco, 1983). Enunciados irônicos geram um aumento na intimidade que só pode ser alcançado porque envolvem o risco de um mal-entendido. Ironia como uma economia linguística: Um falante vai manter sua atitude implícita somente se ele acreditar que o ouvinte tem acesso imediato a um contexto em que possa ser identificado com menos esforço do que seria necessário para processar um enunciado explícito. (Blakemore, 1992, p. 170)
  12. 14.

    A teoria do fingimento (Clark e Gerrig) A ironia como

    um “ato comunicativo encenado” (Clark, 1996, p.368). “ser irônico é, entre outras coisas, fingir (como sugere a etimologia) e enquanto se quer que este fingimento seja reconhecido como tal, anunciá-lo como um fingimento, seria comprometer o seu efeito” (Grice, 1978 p. 125). “[A ironia] pode ser definida como o uso de palavras com a intenção de transmitir um significado para uma parte não informada [ou ignorante] do público e outra para a parte informada, estando o deleite disso na intimidade secreta que se estabelece entre este último e o falante (Fowler, 1965 p. 306).
  13. 15.

    Pão com cerveja João quer um pedacinho↑ Ana hh não

    [hhh] João [tá gostoso] Ana é pão com cerveja [é: o que há de MAIS gostoso nesse universo João [hhh]
  14. 16.

    Ana Maria Braga Clara eu adoro a ana (.) sou

    fã↓ Diogo ah eu também, adoro aqueles papos profundos dela e seu papagaio Davi ah é uma profundidade quase filosófica hahaha Ana gente mas não é pra ser profundo-filosófico é pra dona de-é às OITO da manhã pô↓ Clara você sabia que outro dia apareceu o cara-o cara que é o papagaio Diogo ah:: mas como assi:m, o papagaio é- o papagaio não é um PAPAGAIO↑ Clara [hahaha] Davi [hahaha] Ana [hahaha]
  15. 17.

    Bibliografia ARUNDALE, R. B. 2008. Against (Gricean) intentions at the

    heart of human interaction. Intercultural Pragmatics 5, 231–260. ARUNDALE, R. B. Face as relational and interactional: a communication framework for research on face, facework, and politeness. Journal of Politeness Research. v. 2, Issue 2, p. 193–216. August 2006. BLAKEMORE, D. Understanding Uterrances: an introduction to pragmatics. Oxford, UK: Blackwell, 1992. BROWN, P. & STEPHEN, L. Politeness: Some universals in language usage. Cambridge: Cambridge University Press, 1987. ECO, U. Pós-escrito a ‘O nome da Rosa’. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1983. GRICE, H. P. Further notes on logic and conversation. In: COLE, P. (ed.) Syntax and semantics. Vol. 9. Pragmatics. New York: Academic Press, p. 113-128. 1978. HAUGH, M. Face and interaction. In: BARGIELA-CHIAPPINI, F.; HAUGH, M. Face, Communication and Social Interaction. London: Equinox, 2009. HUTCHEON, L. Ironie, satire, parodie: une approche pragmatique de l‟ironie. Poetique: Revue de Theorie et d’analyse litteraires 12.46, p. 140-155. 1981. OCHS, E. & SCHIEFFELIN, B. Language has a heart. Text v.9, n.1, p. 7-25, 1989. SPERBER, D. & WILSON, D. Les ironies comme mentions. Poétique, n. 36, nov. Paris, Seuil, 1978.