Bibliotecário: missão possível?

Bibliotecário: missão possível?

Inspirado nas teses de Ortega y Gasset e Edson Nery da Fonseca, tento trazer minhas vivências no Serviço Público e Privado para responder a questão: é possível ser bibliotecário?

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Jonatas S. de Abreu

March 12, 2018
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Transcript

  1. Bibliotecário: 
 missão possível? Jônatas Souza de Abreu, Me.

  2. Jônatas S. De Abreu • Bacharelado em Biblioteconomia, UFRN, 2010;

    • Mestrado em Ciência da Informação, UFPE, 2012; • Bibliotecário-chefe da Biblioteca Tereza Brasileiro Silva, CCBS/ UFCG (2014 - ) • Aluno especial do Programa de Pós Graduação em Ciência Política - UFCG (2018) • Ex-docente das disciplinas “informática aplicada”, “Gestão da Informação”, “Gestão de Sistemas de Informação” e “Sistemas de Informação Gerenciais” (2012-2014); • Professor visitante da Universidade Potiguar, disciplina de “Métodos e técnicas da Ciência aplicada ao Direito do trabalho”. 2
  3. “ A meio do caminho desta via, Achei-me a errar

    por uma selva escura Longe da boa via, então perdida; Ah! Mostrar, qual a vi, é empresa dura Essa selva selvagem, densa e forte Que ao relembrá-la, a mente se tortura.
 (Dante. A divina comédia, canto I, 1-6) 3
  4. Por quê nos tornamos bibliotecários?

  5. 5 Ouvimos: ▫ Baixa concorrência no vestibular; ▫ Eu sempre

    gostei de ler / sempre vi meus pais lendo; ▫ Um mercado de trabalho promissor ($$$) ▫ “Eu não a escolhi, ela me escolheu” (sério?); ▫ Um mix dinâmico de Administração, TI e cultura clássica (ao menos me disseram); ▫ Estabilidade do/no serviço público.
  6. Imaginamos 6 Plano de cargos condizente com a importância da

    categoria e amplo o suficiente para investimento em previdência Gestão administrativa totalmente aberta à biblioteca (estantes Bicatecca, livros renovados a cada 2 anos e ambiente com climatização de última geração) Funcionários treinados em bases de dados CAPES e padrão ouro em atendimento ao usuário; Tecnologia de ponta na biblioteca à serviço da pesquisa científica
  7. Encontramos: 7 Um bureau de burocracia à espera dos clientes

    e usuários perguntado em quanto tempo sai a ficha catalográfica Gestão administrativa dizendo que a biblioteca é o coração da instituição (mas já está à espera do 3º infarto) Funcionários treinados nas disciplinas “espanamento I e Teoria do Silêncio II” Depósitos de livros à espera do MEC
  8. Nos tornamos insignificantes no dia a dia Reduzimo-nos ao conhecimento

    técnico
 Passamos o dia [catalogando, classificando] representando a informação Reduzimos nossa atuação a um (mal planejado) Serviço de Referência
 E passamos o dia corrigindo erros de citação e referência nos TCC ou descrevendo dados em ficha catalográfica Reduzimos 4 ou 5 anos de conhecimento a 8 horas de trabalho maçante 
 Batemos o ponto, voltamos para casa e dormimos esperando mais um dia de trabalho no dia seguinte 8
  9. 9

  10. O que nos 
 de.fi.ne ? José Ortega y Gasset

    (o espanhol existencialista) Edson Nery da Fonseca (o culto e pragmático bibliotecário) 10
  11. 11 Ortega y Gasset ▫ Missão pessoal (vocação) ▫ Missão

    profissional (materialização da vocação) ▪ Árbitro dos conflitos trazidos pela cultura informacional ▪ Crítico informacional (grey literature) ▪ Guia na selva selvaggia da informação ▫ Senso histórico ▫ Guardião da memória
  12. 12 Edson Nery da Fonseca “Ser bibliotecário para transformar as

    bibliotecas em organismos dinamicamente integrados no desenvolvimento econômico, científico e tecnológico; Não ser bibliotecário para tornar-se um burocrata a mais no sistema administrativo da nação, do estado ou do município”.

  13. 13 Edson Nery da Fonseca “o bibliotecário deve ser uma

    pessoa culta, como foram os bibliotecários da antiguidade”

  14. 14 Telefonei para a biblioteca do D.A.S.P., em Brasília, e

    perguntei se havia alguma edição da Política de Aristóteles. “Só o senhor dizendo o sobrenome do autor”, respondeu a bibliotecária, “porque no nosso catálogo os autores aparecem pelos sobrenomes”. Creio que basta. Os bovaristas, os ufanistas e os românticos continuam a dizer que tudo vai bem. Mas não é tanto assim, como acabamos de ver (FONSECA, 1963, p.24).
  15. 15 • Cultura como valor intrínseco à atuação do bibliotecário

    • Cultura como valor extrínseco aplicado ao processo de gestão • Cultura como fator de sobrevivência
  16. 16

  17. 17 Quando a solução passa por com/ em/ preender Passada

    a etapa do pânico e da fuga, o bibliotecário do serviço público começa a se entender e entender o potencial daquela unidade de informação para a vida acadêmica da IES em que trabalha.
  18. Diagnóstico e reconhecimento das necessidades locais • Conhecimentos dos usuários;

    conhecimento [ou criação - futuro] de necessidades; • Balanço dos recursos oferecidos (humanos e materiais), • quais os meus obstáculos internos/externos? Reconhecimento dos potenciais locais e autoconhecimento • Quem será a equipe de trabalho; • qual o meu “posicionamento de mercado”; • o que eu posso oferecer à comunidade, já a partir de agora; • onde eu quero chegar com essas ações. Design do plano de “ataque” • Resultado das análises anteriores; • Planejamento estruturado focado em resultados à curto, médio e longo prazo • Foco na solução dos problemas informacionais dos usuários; • Criação de novas necessidades 18
  19. Alguns resultados Mudanças na cultura organizacional A fluência do trabalho

    em torno do usuário passa a ter as medidas e o fluxo coretos Mudança na visão do usuário real A biblioteca passa a ter m significado mais amplo para o usuário a partir da gama de produtos e serviços de informação que ela oferece. Aumento do número de usuários reais e ampliação de perspectivas sobre usuários potenciais A biblioteca passa a transformar público de potenciais em usuários reais dentro da própria unidade e alcança maior público externo com “características ideais”. 19 Mudanças na visão da gestão superior acerca da biblioteca A biblioteca passa a ter um olhar mais acurado da gestão geral, o que possibilita, algumas vezes, aumento no fluxo de recursos destinados a ela A biblioteca passa a entender o fluxo de conhecimento gerado na unidade e transforma-o em valor real A biblioteca passa a trabalhar a partir do conhecimento gerado pelos usuários, bem como se orienta (em matéria de produtos/serviços) a partir das suas necessidades)
  20. 20 obrigado! Alguma pergunta? You can find me at: @jonatassouza

    about.me/jonatas.abreu jonatas.souza@ufcg.edu.br biblioteca.ccbs.ufcg.edu.br