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Cap 3 - Do modo de existência dos objetos técnicos - Gilberto Simondon

Cap 3 - Do modo de existência dos objetos técnicos - Gilberto Simondon

Apresentação sobre o capítulo 3 - Os dois modos fundamentais de relação do homem com o dado técnico - do livro Do modo de existência dos objetos técnicos de Gilberto Simondon. Atividade da disciplina Tecnologia e Dinâmicas Culturais do doutorado em Ciências Humanas e Sociais na UFABC.

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Taís Oliveira

June 04, 2021
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Transcript

  1. CAP III: OS DOIS MODOS FUNDAMENTAIS DE RELAÇÃO DO HOMEM

    COM O DADO TÉCNICO Do modo de existência dos objetos técnicos – Gilberto Simondon
  2. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas
  3. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas O objeto técnico pode estar ligado ao homem de dois modos opostos: a condição de maioridade e a condição de menoridade; A condição de menoridade: o objeto técnico é um objeto de uso e a relação com o homem se efetua durante a infância de modo implícito, pelo hábito e não pelo pensamento; A condição de maioridade: tomada de consciência do adulto livre por meio do conhecimento racional elaborado pelas ciências; Aprendiz (menoridade) e Engenheiro (maioridade): duas representações e juízos sobre o objeto técnico -> uma é desvalorizada (menoridade) e outra valorizada (maioridade) e através delas o objeto técnico se incorpora à cultura; A primeira condição para incorporar os objetos técnicos à cultura estaria em o homem não ser inferior nem superior a esses objetos. Consiste em abordar, aprender e conhecer os objetivos mantendo uma relação de igualdade e trocas, uma relação social.
  4. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas Para estudar o status do objeto técnico é preciso entender a diferença entre as relações desse objeto com o adulto e a criança; Um aprendizado que ocorre na infância de modo irracional ele será impregnado pelo hábito e se manifestará na obra ou no discurso, mais operante do que intelectual, será mais uma capacidade que um saber; A quantidade de informação presente na formação que ocorre desde a infância pode ser tão grande quanto o conhecimento explicado por signos. O primitivismo não pode ser confundido com burrice, assim como não se pode confundir conceitualização com ciência;
  5. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas Já o segundo tipo de conhecimento é racional, teórico, científico e universal; Era do enciclopedismo: todo homem que possuía a obra era capaz de construir a máquina; A obra tinha que ser acessível a todos e constituir uma universalidade material e intelectual. Esse modo de ensino pressupõe um sujeito adulto capaz de dirigir a si próprio: o autodidata é necessariamente adulto; O mundo técnico descobriu sua independência ao se dar conta da sua unidade. A Enciclopédia foi uma espécie de festa da federação das técnicas, que, pela primeira vez, descobriram sua solidariedade.
  6. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas Pretende analisar a relação do espírito do enciclopedismo com o objeto técnico, pois ela parece ser um dos polos de qualquer consciência tecnológica; O segredo universal objetivado conserva o sentido positivo da ideia de segredo, mas aniquila o seu sentido negativo; Numa visão psicossociologica, toda manifestação do espírito enciclopédico expressa a necessidade de uma sociedade atingir um estado adulto e livre; Três ocasiões, desde a idade Média, em que a vontade de passar da menoridade para a maioridade se manifesta: o Renascimento (revolução ética, religiosa, a Reforma); o Século das Luzes (pensamento científico livre, mas o técnico não); "Em nossa época" - a civilização do simbolismo espacial pela qual os novos meios de difusão de informação deram primazia à expressão oral;
  7. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas O pensamento cibernético suscita áreas de pesquisa como a "engenharia humana" que estuda a relação do homem com a máquina, assim cria-se um enciclopedismo de base tecnológica; No séc XX (em nosso tempo), o homem é escravo de sua dependência dos poderes desconhecidos e distantes que o dirige, sem que os conheça e possa reagir contra eles; Transformado em máquina num mundo mecanizado, ele só pode recuperar a liberdade ao assumir seu papel e ultrapassá-lo, pensando as funções técnicas sob o aspecto da universalidade; Todo enciclopedismo é um humanismo, se humanismo for a vontade de libertar aquilo que foi alienado do ser humano, para que nada humano seja estranho ao homem; Parece existir uma lei do devir do pensamento humano: toda invenção ética, técnica ou científica, que inicialmente é um meio de libertação e de redescoberta do homem, torna-se, pela evolução histórica, um instrumento que se volta contra sua própria finalidade, subjugando e limitando o homem. No século XX, o que cria a alienação da sociedade humana em relação ao homem é sua imensidão vertiginosa, ilimitada, sempre em movimento (constantes atualizações / inovações técnicas).
  8. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas A cibernética dá ao homem um novo tipo de maioridade – aquela que penetra nas relações de autoridade que se distribuem pelo corpo social – e revela, para além da maturidade da razão, a reflexão que, somada à liberdade de agir, proporciona o poder de criar a organização, instituindo a teleologia. A cibernética liberta o homem do prestígio incondicional da ideia de finalidade. Pela técnica, o homem se libertava da coerção social; pela tecnologia da informação, torna-se criador da organização de solidariedade que outrora o aprisionava. A etapa do enciclopedismo técnico só pode ser provisória. Ela invoca a do enciclopedismo tecnológico, que a consuma, dando ao indivíduo uma possibilidade de retornar ao social, que muda de estatuto e se torna objeto de uma construção organizadora em vez de ser a aceitação de algo valorizado ou combatido, mas que subsiste com suas características primitivas, externas à atividade humana.
  9. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas Não se deve dizer que as técnicas da organização dotada de fins são úteis apenas por seus resultados práticos: elas são úteis no sentido de fazerem a finalidade passar do nível mágico para o nível técnico. Enquanto a evocação de uma finalidade superior e da ordem que realiza essa finalidade é considerada como o termo final de uma busca de justificação – pois a vida é confundida com a finalidade numa época em que os esquemas técnicos não passam de esquemas de causalidade. A produção técnica de mecanismos teleológicos permite fazer sair do domínio mágico o aspecto mais inferior e mais grosseiro da finalidade: a subordinação dos meios a um fim, e, portanto, a superioridade do fim em relação aos meios. A realização das adaptações é apenas um dos aspectos da vida; as homeostasias são funções parciais; a tecnologia, ao envolvê-las e permitir não apenas pensá-las, mas também realizá-las racionalmente, deixa plenamente visíveis os processos abertos da vida social e individual. Nesse sentido, a tecnologia reduz a alienação.
  10. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas A separação entre a educação do adulto e a educação da criança, no domínio da tecnologia, corresponde a uma diferença na estrutura dos dois sistemas normativos e, em parte, a uma diferença entre os resultados. A consequência é que, até agora, persiste um intervalo, que não pôde ser transposto, entre a tecnologia pedagógica e a tecnologia enciclopédica. É preciso ter apreendido a historicidade do devir técnico através da historicidade do devir do sujeito, para acrescentar, à ordem do simultâneo, a do sucessivo, segundo a forma que é o tempo. O verdadeiro enciclopedismo, que exige a universalidade temporal e, ao mesmo tempo, a universalidade do simultâneo, deve integrar a educação da criança, pois só pode tornar-se verdadeiramente universal ao construir o adulto através da criança, ao seguir a universalidade temporal para obter a universalidade do simultâneo. É preciso descobrir a continuidade entre as duas formas da universalidade. O saber é substituído pela figura do cientista, isto é, por um elemento catalogado de tipologia social ou caracterológica, totalmente inadequado ao saber em si. Ele introduz na cultura uma mistificação que a torna inautêntica.
  11. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas Adquirir cultura é atualizar analogicamente os esquemas humanos reais, ocupando-se somente em caráter secundário das agitadas repercussões que uma invenção ou uma publicação tiveram entre seus contemporâneos, porque elas são prescindíveis, ou, pelo menos, só se pode apreendê-las tendo como referência o pensamento original, a invenção em si. A ordem enciclopédica do simultâneo se vê expulsa do ensino cultural porque não se ajusta às opiniões dos grupos sociais, que nunca têm uma representação da ordem do simultâneo, pois só representam uma fração mínima da vida numa determinada época, e não podem situar-se por si. Esse hiato entre a vida atual e a cultura vem da alienação da cultura, isto é, do fato de que a cultura, na realidade, é uma iniciação às opiniões de determinados grupos sociais que existiram em épocas anteriores. O objeto técnico se distingue do objeto científico porque este último é um objeto analítico, que visa a analisar um único efeito, com todas as suas condições e suas características mais exatas, ao passo que o objeto técnico, muito longe de se situar inteiramente no contexto de uma ciência particular, está, na verdade, no ponto de convergência de uma multiplicidade de dados e efeitos científicos provenientes dos mais variados domínios, integrando os saberes aparentemente mais heteróclitos (singulares), e que podem não estar intelectualmente coordenados, embora se coordenem na prática, no funcionamento do objeto técnico.
  12. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas A teoria da informação é uma tecnologia intercientífica, que permite sistematizar os conceitos científicos e esquematizar diversas técnicas. Não devemos considerar essa teoria como uma técnica entre outras. Na realidade, ela é um pensamento que faz a mediação entre as diversas técnicas, por um lado, entre as diversas ciências, por outro, e entre as ciências e as técnicas. Uma análise atenta dos dualismos nos sistemas de valor – como o do manual e do intelectual, do camponês e do cidadão urbano, da criança e do adulto – mostraria que no fundo dessas oposições há uma razão técnica de incompatibilidade entre diversos grupos de esquematismos. O manual é aquele que vive segundo um esquematismo intuitivo no nível das coisas materiais; o intelectual, ao contrário, é aquele que conceitualizou as qualidades sensíveis; vive de acordo com uma ordem que estabiliza a ordem do sucessivo em definições da natureza e do destino do homem; detém certo poder de conceituar e valorizar ou desvalorizar os gestos humanos e os valores vivenciados no nível da intuição. O manual vive segundo a ordem do simultâneo; é autodidata, quando quer aceder a uma cultura.
  13. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas Por último, a oposição entre a criança e o adulto resume esses antagonismos; a criança é o ser do sucessivo, feito de virtualidades, modificando-se no tempo e tendo consciência dessa modificação e dessa mudança. O adulto, capaz, por sua educação, de fazer face à simultaneidade dos problemas que a vida lhe apresenta, integra-se na sociedade de acordo com a ordem da simultaneidade. Essa maturidade, aliás, só pode ser plenamente atingida na medida em que a sociedade seja relativamente estável e não evolua com excessiva rapidez. Sem isso, a sociedade em processo de transformação, que privilegia a ordem do sucessivo, transmite a seus membros adultos um dinamismo que faz deles adolescentes.
  14. Cap. III: Os dois modos fundamentais de relação do homem

    com o dado técnico 1. Maioridade e menoridade social das técnicas 2. Técnica aprendida pela criança e técnica pensada pelo adulto 3. A natureza comum das técnicas menores e das técnicas maiores. Significado do enciclopedismo 4. Necessidade de uma síntese, no nível da educação, entre o modo maior e o modo menor de acesso às técnicas