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Análise do Discurso - Fernanda Mussalim

Análise do Discurso - Fernanda Mussalim

Apresentação realizada para o grupo de orientandos no doutora em Ciências Humanas e Sociais da UFABC. Artigo: MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001.

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Taís Oliveira

June 07, 2021
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  1. ANÁLISE DO DISCURSO ----------------- De Fernanda Mussalim Taís Oliveira

  2. Fernanda Mussalim É Professora Titular da Universidade Federal de Uberlândia

    (UFU), possui graduação em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (1987), Mestrado (1996), Doutorado (2003), Pós-doutorado (2009) e Pós-doutorado Sênior (2018) em Linguística pela mesma universidade. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Análise do Discurso e interface com a Neurolinguística e as Ciências Cognitivas em geral. Atualmente, realiza pesquisas em torno dos seguintes temas: autoria; processos editoriais; constituição de posicionamentos discursivos no campo da arte (abrangendo literatura e música); relações entre estilo e ethos; gêneros do discurso e ensino; pré- discursos e cognição distribuída.
  3. 1. A gênese da disciplina 2. Fases da AD: Os

    procedimentos de análise e a definição do objeto 3. Uma análise 4. Considerações finais
  4. 1.A GÊNESE DA DISCIPLINA 1.1 Estruturalismo, marxismo e psicanálise: um

    terreno fecundo 1.2 A especificidade da AD 1.3 Procedimento de análise: a contribuição de Harris e Chomsky MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001.
  5. A Análise do Discurso tratada no capítulo é referente a

    uma disciplina que teve sua origem na França na década de 1960; Maldidier (1994) descreve a fundação da Análise do Discurso através de Jean Dubois (linguista, lexicólogo) e Michel Pêcheux (filósofo); Ambos se relacionam com o marxismo e a política, partilhando convicções sobre a luta de classes, a historia e o movimento social; 1.A GÊNESE DA DISCIPLINA 1.1 Estruturalismo, marxismo e psicanálise: um terreno fecundo 1.2 A especificidade da AD 1.3 Procedimento de análise: a contribuição de Harris e Chomsky MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001.
  6. Estruturalismo: A língua não é apreendida na sua relação com

    o mundo, mas na estrutura interna de um sistema fechado sobre si mesmo. Daí "estruturalismo": é no interior do sistema que se define, que se estrutura o objeto (a língua), e é este objeto assim definido que interessa a esta concepção de ciência em vigor na época. Marxismo: Há uma ruptura epistemológica para Pêcheux (que tem bases marxistas) que coloca o estudo do discurso em torno de questões relativas à ideologia e ao sujeito. As significações sofrem alterações de acordo com as posições ocupadas pelos sujeitos que enunciam. Psicanálise: A psicanalise lacaniana considera que o inconsciente se estrutura como uma linguagem e uma cadeia de significantes que se repete e interfere no discurso efetivo. Como se o discurso fosse sempre atravessado pelo discurso do Outro. 1.A GÊNESE DA DISCIPLINA 1.1 Estruturalismo, marxismo e psicanálise: um terreno fecundo 1.2 A especificidade da AD 1.3 Procedimento de análise: a contribuição de Harris e Chomsky MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001.
  7. 1.A GÊNESE DA DISCIPLINA 1.1 Estruturalismo, marxismo e psicanálise: um

    terreno fecundo 1.2 A especificidade da AD 1.3 Procedimento de análise: a contribuição de Harris e Chomsky MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001. A AD é um terreno que se relaciona com a Linguística e as Ciências Sociais: qual a especificidade da AD neste terreno?
  8. 1.A GÊNESE DA DISCIPLINA 1.1 Estruturalismo, marxismo e psicanálise: um

    terreno fecundo 1.2 A especificidade da AD 1.3 Procedimento de análise: a contribuição de Harris e Chomsky MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001. O que garante a especificidade da Análise do Discurso é a formulação de uma pergunta subsequente a essa: qual o efeito dessa ambiguidade? A resposta vai depender da relação que os analistas do discurso procuram estabelecer entre um discurso e suas condições de produção (ou seja, o contexto histórico-social); Análise do Discurso de origem francesa privilegia o contato com a História; A intenção do sujeito não é determinante, os sujeitos são condicionados por um ideologia em determinadas conjunturas histórico-sociais; Análise do Discurso anglo-saxã (ou americana) que privilegia o contato com a Sociologia; E que considera a intenção dos sujeitos numa interação verbal como um dos pilares que a sustenta.
  9. 1.A GÊNESE DA DISCIPLINA 1.1 Estruturalismo, marxismo e psicanálise: um

    terreno fecundo 1.2 A especificidade da AD 1.3 Procedimento de análise: a contribuição de Harris e Chomsky MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001. Harris: observa a ligação entre os enunciados a partir de conectivos, com o objetivo de equacionar essa linearidade em classes de equivalência; Chomsky: postula a existência de um sistema de regras internalizadas responsável pela geração das sentenças; Pêcheux passa a considerar a oposição enunciação e enunciado. A primeira se refere às condições de produção do discurso, que permitiriam a elocução de um discurso e não de outros; e o segundo se refere à superfície discursiva resultante dessas condições; Esse conceito de condições de produção é básico para a AD, pois elas caracterizam o discurso, o constitui e como tal são objeto de análise. Para a AD a enunciação não é um desvio, mas um processo constitutivo da matéria enunciada.
  10. 2. FASES DA AD: OS PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE E A

    DEFINIÇÃO DO OBJETO MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001.
  11. 2. FASES DA AD: OS PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE E A

    DEFINIÇÃO DO OBJETO MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001. A primeira fase da Análise do Discurso explora a análise de discursos mais "estabilizados", no sentido de serem pouco polêmicos, por permitirem uma menor abertura para a variação do sentido devido a um maior silenciamento do outro, como O Manifesto do Partido Comunista; A ideia de Máquina Discursiva; Na segunda fase surge a noção de máquina estrutural a partir do conceito de Formação Discursiva de Foucault. Ou seja, uma formação discursiva é marcada por mecanismos de controle e assim é definida sempre a partir de outras formações discursivas e não é mais uma estrutura fechada, mas sempre invadida por elementos de outro lugar. Na terceira fase os diversos discursos que atravessam uma Formação Discursiva se formam de maneira regulada no interior de um interdiscurso. Será a relação interdiscursiva que estruturará a identidade das FDs em questão.
  12. 3. UMA ANÁLISE 3.1 O conceito de discurso 3.2 A

    noção de sentido para a AD 3.3 O conceito de sujeito na AD 3.4 As condições de produção de discurso MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001.
  13. 3. UMA ANÁLISE 3.1 O conceito de discurso 3.2 A

    noção de sentido para a AD 3.3 O conceito de sujeito na AD 3.4 As condições de produção de discurso MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001. A autora analisa a crônica "Um só seu filho" de Bráulio Tavares (Folha de S. Paulo de 16/3/97) num contexto em que a clonagem de humanos estava em debate; Ressalta que a Análise do Discurso considera como parte constitutiva do sentido o contexto histórico-social; O discurso é também um "aparelho ideológico"; E a AD chama de formação ideológica (FI) este confronto de forças em um dado momento histórico; O conceito de formação discursiva (FD) é utilizado pela AD para designar o lugar onde se articulam discurso e ideologia.
  14. 3. UMA ANÁLISE 3.1 O conceito de discurso 3.2 A

    noção de sentido para a AD 3.3 O conceito de sujeito na AD 3.4 As condições de produção de discurso MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001. Uma formação discursiva, apesar de heterogênea, sofre as coerções da formação ideológica em que está inserida; As sequências linguísticas possíveis de serem enunciadas por um sujeito circulam entre esta ou aquela formação discursiva que compõem o interdiscurso; Apesar do caráter constitutivamente heterogêneo do discurso, não se pode concebê-lo como livre de restrições. O que é e o que não é possível de ser enunciado por um sujeito já está demarcado pela própria formação discursiva na qual está inserido. Os sentidos possíveis de um discurso, portanto, são sentidos demarcados, preestabelecidos pela própria identidade de cada uma das formações discursivas colocadas em relação no espaço interdiscursivo; O sentido vai se constituindo à medida que se constitui o próprio discurso.
  15. 3. UMA ANÁLISE 3.1 O conceito de discurso 3.2 A

    noção de sentido para a AD 3.3 O conceito de sujeito na AD 3.4 As condições de produção de discurso MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001. Na AD1: o sujeito é concebido como sendo assujeitado à maquinaria, já que está submetido às regras específicas que delimitam o discurso que enuncia. Assim, segundo essa concepção de sujeito, quem de fato fala é uma instituição, ou uma teoria, ou uma ideologia. Na AD2: o sujeito passa a ser concebido corno aquele que desempenha diferentes papéis de acordo com as várias posições que ocupa no espaço interdiscursivo. Todavia, o sujeito não é totalmente livre; ele sofre as coerções da formação discursiva do interior da qual enuncia, já que esta é regulada por uma formação ideológica. Na AD3: O sujeito é um sujeito descentrado, que se define agora como sendo a relação entre o "eu" e o "outro". O sujeito é constitutivamente heterogêneo, da mesma forma como o discurso o é. Para Pêcheux e Fuchs, o sujeito se ilude duplamente: a) por esquecer-se de que ele mesmo é assujeitado pela formação discursiva em que está inserido ao enunciar; b) por crer que tem plena consciência do que diz e que por isso pode controlar os sentidos de seu discurso.
  16. 3. UMA ANÁLISE 3.1 O conceito de discurso 3.2 A

    noção de sentido para a AD 3.3 O conceito de sujeito na AD 3.4 As condições de produção de discurso MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001. Essa dupla ilusão do sujeito é constitutiva nas condições de produção do discurso; O sujeito, por não ter acesso às reais condições de produção de seu discurso devido à inconsciência de que é atravessado e ao próprio conceito de discurso com o qual trabalha a AD, representa essas condições de maneira imaginária. O sujeito não é livre para dizer o que quer, a própria opção do que dizer já é em si determinada pelo lugar que ocupa no interior da formação ideológica à qual está submetido, mas as imagens que o sujeito constrói ao enunciar só se constituem no próprio processo discursivo.
  17. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à

    linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001.
  18. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS MUSSALIM, Fernanda. Análise do discurso. Introdução à

    linguística: domínios e fronteiras, v. 2, n. 2, p. 101-142, 2001. Ressalta o aspecto crucial para tratar da Análise de Discurso: a sua especificidade (qual o efeito?); E a sua constitutividade: o discurso, o sentido, o sujeito, as condições de produção vão se constituindo no próprio processo de enunciação. A AD, ao se propor a não reduzir o discurso a análises estritamente linguísticas, mas abordá-lo também numa perspectiva histórico-ideológica, não poderia constituir-se enquanto disciplina no interior de fronteiras rígidas, que não levassem em conta a interdisciplinaridade, seja com determinadas áreas das ciências humanas, como a História, a Sociologia, a Psicanálise, seja com certas tendências desenvolvidas no interior da própria Linguística, como a Semântica da Enunciação e a Pragmática.
  19. • Como lidar com discursos que se alteram muito rapidamente

    no contexto digital? • Como dar conta da interdisciplinaridade de contextos complexos? • Dentro desta interdisciplinaridade, como abarcar diferentes pontos de vistas que estarão também localizados numa determinada condição de produção discursiva? • Do ponto de vista técnico, como coletar e tratar estes discursos? • Como lidar com discursos que estão subjetivamente localizados? (#BlackTwitter x Discurso da branquitude)
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