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O Conceito de Cultura

O Conceito de Cultura

Andres Kalikoske

January 03, 2016
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  2. M O B I L I D A D E

    M A N I F E S TA Ç Õ E S P O P U L A R E S A L I M E N TA Ç Ã O P R E F E R Ê N C I A M U S I C A L I N D U M E N TÁ R I A E X T E N S Ã O C O R P O R A L E D U C A Ç Ã O P A D R Õ E S D E C O M P O R TA M E N T O E X P E R I Ê N C I A S E F O R M A S D E V I D A V A L O R E S E S P I R I T U A I S S I S T E M A D E C R E N Ç A S FATORES CAPAZES DE REVELAR A DIVERSIDADE CULTURAL
  3. ESTÉTICA Origem no termo grego aisthetiké, que significa “aquele que

    nota, que percebe”, concebendo a teoria do conhecimento em caráter histórico-sociológico, no sentido de uma estética da existência. O ramo que tradicionalmente se compreende como o estudo do belo, da beleza sensível e de suas implicações na criação artística, é concebido por Michel Foucault como estratégias para compreender os sistemas de pensamento vigente em diferentes épocas, que constituíram os processos de sujeição, ou criação de modos de existência e estilos de vida.
  4. MASSA Transposição de comunidade à sociedade; multidão, dissolução das individualidades,

    homogeneização dos hábitos e do pensamento, falsa ideia de unicidade, amparada pela reprodutibilidade técnica, quando o processo de padronização se torna hegemônico (ORTIZ, 1994, p. 32-34). REDE A sociedade industrial reformula as condições da vida social conhecidas até então. "Nas sociedades modernas as relações sociais são deslocadas dos contextos territoriais de interação e se reestruturam por meio de extensões indefinidas de tempo- espaço. Os homens se desterritorializam, favorecendo uma organização racional de suas vidas. Evidentemente uma mudança dessa natureza só pode acontecer no seio de uma sociedade cujo sistema técnico permite um controle do espaço e do tempo. A modernidade se materializa na técnica." (p. 45). O "desencaixe" nas relações sociais se dá com a separação do tempo e do espaço, uma vez que "a circulação é o elo que os põe em comunicação" (ORTIZ, p. 48).
  5. DESTERRITORIALIZAÇÃO São não-lugares carentes de identidade, "espaço abstrato, racional, deslocalizado",

    preenchido com marcas transnacionais facilmente identificáveis (106). No âmbito da cultura, "uma campanha publicitária de cerveja, feita pela Saatchi & Saatchi, é concebida na Inglaterra, rodada no Canadá, e editada em Nova York. Um 'filme global', realizado para um público-alvo mundial, é produzido por uma major de Hollywood, dirigido por um cineasta europeu, financiado por japoneses, contém no elenco vedetes internacionais, e as cenas se passam em vários lugares do planeta" (ORTIZ, 1994, p. 108).
  6. PUBLICIDADE "Com o advento da sociedade urbano-industrial, a noção de

    pessoa já não mais se encontra centrada na tradição. Os laços de solidariedade se rompem. O anonimato das grandes cidades e do capitalismo corporativo pulveriza as relações sociais existentes, deixando os indivíduos 'soltos' na malha social. A sociedade deve, portanto, inventar novas instâncias para a integração das pessoas. No mundo em que o mercado torna-se uma das principais forças reguladoras, a tradição torna-se insuficiente para orientar a conduta. Uma dessas instâncias é a publicidade, pois cumpre o papel de elaborar o desejo do consumo atomizado, conferindo-lhe uma certa estabilidade social" (ORTIZ, 1994, p. 120). Os publicitários, consciente ou inconscientemente, gradualmente reconhecem a complexidade do modo de vida urbano, especializado, interdependente, que cria um resíduo de necessidades desencontradas. Percebendo o vácuo nas relações pessoais, eles começam a oferecer seus produtos como resposta ao descontentamento moderno" (MARCHANT in ORTIZ, p. 121).
  7. PENSAR A CULTURA Conceituar a cultura pode ser uma tarefa

    bastante inconsistente e escorregadia. Não raramente todas as armas são apontadas aos pesquisadores que buscam se aventurar nesse estimulante exercício teórico. Isso porque o conceito científico de cultura, que surge na Antropologia, rapidamente passa a ser absorvido por diversas áreas do conhecimento. Seus múltiplos desenvolvimentos promovem interpretações e ampliações que consideram os movimentos teórico-metodológicos de cada área, descaracterizando, em muitos casos, seu sentido inicial. A raiz etimológica do vocábulo aparece pela primeira vez na Europa, no início do século 18. No auge do Iluminismo, passa a ser empregada para designar o status social do clero, da nobreza e da população. Nesse momento, seu viés progressista e reformista convida o cidadão europeu a enfatizar a razão e o esclarecimento, colocando em segundo plano as normativas religiosas e o misticismo (BAUMAN, 2011). A ideia de cultivar e cultuar se desenvolve em seguida, conferindo nações as noções de pertencimento, memória e herança cultural.
  8. LEWIS MORGAN (1818-1881) Um dos primeiros cientistas ensaístas do conceito

    de cultura é o antropólogo estadunidense Lewis Morgan (1818-1881), principal expoente do evolucionismo cultural. A cultura, na compreensão de Morgan, deve esmiuçar o desenvolvimento humano, buscando compreender os caminhos percorridos pelo homem “primitivo”. Nesse sentido, em “A sociedade antiga”, de 1877, o antropólogo oferece uma minuciosa classificação das etapas da civilização, concebendo os seguintes estágios: 1) status inferior de selvageria, 2) status intermediário de selvageria, 3) status superior de selvageria, 4) status inferior de barbárie, 5) status intermediário de barbárie, 6) status superior de barbárie e, por fim, 7) status de civilização. Sua concepção universalista, hoje defasada, considera que “em todas as partes do mundo, a sociedade humana teria se desenvolvido em estágios sucessivos e obrigatórios, numa trajetória basicamente unilinear e ascendente”, sendo que, “toda a humanidade deveria passar pelos mesmos estágios, seguindo uma direção que ia do mais simples ao mais complexo, do mais indiferenciado ao mais diferenciado” (CASTRO, 2005, p. 28).
  9. LEWIS MORGAN (1818-1881) 1. Fase inferior ao estado selvagem -

    o homem vive em regiões limitadas se alimentando de frutos e nozes. Não há linguagem estabelecida. 2. Fase média do estado selvagem - australianos e polinésios descobrem o peixe como meio de subsistência. O homem começa a se espalhar pela Terra. 3. Fase superior do estado selvagem - desenvolvimento do arco e da flecha, utilizados por tribos athapascanas da baía do Hudson, tribos do Vale do Colúmbia e tribos das costas da América do Norte. 4. Fase inferior da barbárie - invenção e uso da cerâmica. 5. Fase média da barbárie - domesticação de animais (hemisfério oriental); cultura do milho e dos vegetais, desenvolvimento e utilização do tijolo seco ao sol e da pedra (hemisfério ocidental).
  10. LEWIS MORGAN (1818-1881) 6. Fase superior da barbárie - produção

    de objetos de ferro; aglomerações de grandes tribos gregas (época de Homero), ítalas (pouco antes da fundação de Roma) e tribos germânicas (época de César). 7. Fase de civilização - invenção de um alfabeto fonético; escrita hieroglífica sobre pedras e produção de obras literárias.
  11. EDWARD TYLOR (1832-1917) Uma segunda perspectiva, mais arejada, ainda que

    igualmente limitada, parte do antropólogo britânico Edward Tylor (1832- 1917). Surge no final do século 18 e no início do seguinte, quando a ideia de cultura começa a conquistar apelo popular. Nesse momento o termo “Kultur” já é amplamente citado por germânicos, para simbolizar aspectos espirituais de uma comunidade, e o termo “civilisation”, cunhado por franceses, é mencionado para referir as realizações materiais dos povos. Os dois termos são sintetizados por Tylor, que assume a terminologia “culture” em suas pesquisas. A noção de Tylor rapidamente se difunde no ambiente intelectual, e a cultura passa a ser considerada como “todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem na condição de membro da sociedade” (TYLOR, 2005, p. 69). Além de não fazer distinção entre cultura e civilização, Tylor considera que “cultura” deve ser uma palavra escrita no singular e também hierarquizada em estágios evolutivos, ainda aproximando-se da antiga compreensão universalista.
  12. EDWARD TYLOR (1832-1917) Mas o trabalho de Tylor avança cientificamente

    em comparação ao texto de Morgan. No primeiro capítulo de seu emblemático “A Ciência da cultura”, o antropólogo eleva a cultura ao status de objeto científico, buscando apresentar seu método comparativo, que disseca e classifica elementos da cultura dos povos em diferentes grupos. Em suas palavras, “ao examinar as armas, elas devem ser classificadas como lança, maça, funda, arco-e- flecha, e assim por diante” (TYLOR, 2005, p. 76). Contudo, críticos de Tylor consideram que relatos de missionários, comerciantes, viajantes e demais observadores utilizados em suas investigações teriam baixo grau de confiabilidade, comprometendo a cientificidade do método comparativo. Em contraponto, Tylor responde que seu método considerava “testes de recorrência”, ou seja, somente relatos que apresentam alguma similaridade poderiam ser considerados.
  13. FRANZ BOAS (1858-1942) Mais recentemente, a ideia contemporânea sobre o

    conceito de cultura é concebida pelo antropólogo estadunidense Franz Boas (1858-1942), que introduz uma perspectiva relativista, pluralista e não hierárquica. Ao considerar que “cada ser humano vê o mundo sob a perspectiva da cultura em que cresceu”, a cultura em Boas ressurge como um elemento explicativo da diversidade dos povos (CASTRO, 2004, p. 18). Boas se recusa a considerar questões raciais, civilizações menos ou mais desenvolvidas, mas enaltece a diversidade, explicada por fatores variantes como “o meio ambiente e especialmente as condições sociais em que vivem essas populações” (CASTRO, 2004, p. 19). Crítico do método comparativo utilizado por seguidores do evolucionismo cultural, Boas não recusa a teoria da evolução de Charles Darwin, mas sua interpretação, por parte dos evolucionistas, que “colocavam no ápice do processo de evolução a própria sociedade em que viviam” (CASTRO, 2004, p. 15).
  14. FRANZ BOAS (1858-1942) Para explicar a aparição de elementos culturais

    semelhantes em diferentes culturas, Boas pressupõe que, através da difusão via comércio, guerra, viagens, elementos culturais de determinada tribo se espalharam para outras culturas. Novamente, contesta a ideia de um caminho evolutivo, que se inicia na barbárie e caminha até a civilização, defendida pelos evolucionistas. Sem querer promover generalizações, Boas limita sua explicação a “áreas relativamente próximas, onde se pudesse reconstituir com razoável segurança a história das transmissões culturais” (CASTRO, 2004, p. 17). Como resposta, defende a indução empírica, ou método histórico, exigindo que a comparação entre diferentes civilizações passe a considerar extensões territoriais delimitadas. Abandona, assim, o verbete cultura, no singular, propondo pensar a partir de culturas individuais, no plural.
  15. FRANZ BOAS (1858-1942) A partir do trabalho de Boas, os

    antropólogos começam a considerar que existe uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais, relativizando a ideia de determinismo geográfico. Boas demonstra que a ação da natureza sobre a humanidade não é puramente receptiva, uma vez que o ser humano possui elevada capacidade de adaptação, cabendo ao cientista social explorar as diferentes culturas com profundidade.
  16. LESLIE WHITE (1900-1975) Para White, o homo sapiens se distingue

    de todas as demais espécies por ser o único animal capaz de promover cultura. Enfrentou condições ambientais e climáticas desfavoráveis para sua sobrevivência, atuando na natureza sem a necessidade de transformações anatômicas em seu aparato biológico.Sua capacidade cognitiva (linguagem articulada, abstração e conceituação) lhe permite abstrair elementos de sua existência, atribuindo-lhes significado. Conforme White, diferente dos primatas, a evolução neurológica desenvolve no homem a capacidade de simbologizar (WHITE; DILLINGHAM, 2009). O processo cognitivo de simbologizar se diferencia do simples reconhecimento, como desempenhado por alguns animais, que são capazes de se comunicar através de sinais, mas nunca através de símbolos. O homem é capaz não somente de identificar símbolos, mas criar, definir e atribuir significados, articulando suas representações sociais. Considerar o homem como animal simbologizador e a cultura como resultado dessa simbologização significa compreender que o homem e a cultura são interdependentes; um não existe sem o outro (WHITE; DILLINGHAM, 2009).
  17. rtyuiopasdfghjklzxcvbnm123 qwertyuiopasdfghjklzxcvbnm1 tyuiopasdfghjklzxcvbnm12345 iopasdfghjklzxcvbnm12345678 ertyuiopasdfghjklzxcvbnm123 iopasdfghjklzxcvbnm1234567 wertyuiopasdfghjklzxcvbnm1 uiopasdfghjklzxcvbnm1234567 rtyuiopasdfghjklzxcvbnm1234 opasdfghjklzxcvbnm12345678

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