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Seminário de Jornalismo Especializado

Seminário de Jornalismo Especializado

Andres Kalikoske

March 12, 2017
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  2. PARTE 1 JORNALISMO ESPECIALIZADO

  3. o Jornalismo ambiental o Jornalismo científico o Jornalismo comunitário /

    cidadão o Jornalismo cultural o Jornalismo para educação / ensino o Jornalismo para decoração o Jornalismo de moda o Jornalismo de agronegócios o Jornalismo de entretenimento / espetáculo / celebridades o Jornalismo de tecnologia o Jornalismo econômico o Jornalismo esportivo o Jornalismo infantil / infanto-juvenil o Jornalismo internacional o Jornalismo para a saúde o Jornalismo para o turismo o Jornalismo político o Jornalismo policial PANORAMA DE EDITORIAS DO JORNALISMO ESPECIALIZADO
  4. o No Jornalismo, a especialização pode estar associada a meios

    de comunicação específicos, como o jornalismo televisivo, o radiofônico ou o ciberjornalismo. o Pode estar associada a temas, como ocorre no jornalismo econômico, ambiental e no esportivo. o Ainda, pode estar associada aos produtos resultantes da ligação de ambos (jornalismo esportivo radiofônico, jornalismo cultural impresso, etc). o Cada uma dessas materializações solicita investigações e normatizações singulares, o que cria uma dificuldade para se pensar, epistemologicamente, o cenário mais amplo da especialização no jornalismo. JORNALISMO ESPECIALIZADO
  5. o Trata-se, assim, da cobertura de temas determinados, visando atender

    às demandas de audiências específicas. o O jornalista deve adaptar-se ao nível de conhecimento do leitor, motivo pelo qual o profissional de alguma especialidade deve dominar conhecimentos específicos de sua área de cobertura. o O jornalista que cobre determinada especialidade deve oferecer uma visão aprofundada de seu campo de domínio, sendo o profissional que melhor pode tratar a informação de sua especialidade. o O jornalista especializado deve saber identificar a informação e conhecer as tendências de seu campo, antecipando-se a elas. JORNALISMO ESPECIALIZADO
  6. o Mário Erbolato diz entender por jornalismo especializado as seções

    ou páginas diversas de um matutino ou vespertino, colocando a revista, por exemplo, em um outro tipo de jornalismo, mais exclusivo do que especializado. o Nilson Lage classifica as editorias como divisões das áreas de atividade de interesse jornalístico. o Elcias Lustosa aponta a especialização do trabalho jornalístico como uma consequência lógica da divisão do trabalho nos veículos de comunicação. o Estrategicamente, veículos do segmento generalista, como a TV, também oferecem produtos do especializados (Globo Esporte, Esporte Record, etc). JORNALISMO ESPECIALIZADO
  7. o Maria Teresa Mercado Saéz acredita que a especialização jornalística

    diz respeito a uma estrutura informativa que abarca todo o processo comunicativo, para apresentar a realidade através dos múltiplos âmbitos temáticos. o O desafio do jornalismo especializado praticado na contemporaneidade, em geral, é ultrapassar a síntese superficial, independentemente do meio e do conteúdo, oferecendo ao leitor um processo de leitura distinto sobre o mundo, sem abdicar da adequação de termos e lógicas de cada área (política, economia, etc), com uma linguagem sempre acessível como é a característica da prática jornalística. JORNALISMO ESPECIALIZADO
  8. o Discussão: se as redações estão divididas em editorias e

    se cada uma dessas áreas pressupõe algum conhecimento específico, por que não transformar especialistas em jornalistas e não o contrário? o O profissional deve estar preparado não apenas com o diploma em mãos, mas com uma excelente bagagem de conhecimento técnico e cultural. o Deve intermediar saberes especializados na sociedade, construindo um discurso que, sendo noticioso ou “apenas” informacional, promova um tipo de conhecimento que se nutra – geralmente – na compreensão conjunta do universo científico e do senso comum. A informação jornalística, para alguns pesquisadores, se encontra nesse centro. JORNALISMO ESPECIALIZADO
  9. o Por ser grau de aprofundamento, o jornalismo especializado pode

    ser produzido a partir de três “metodologias”: - jornalismo investigativo; - jornalismo interpretativo e - jornalismo de explicação. São diferentes graus de sofisticação. o Conforme alguns pesquisadores críticos das práticas jornalísticas, não cabe ao jornalismo especializado reproduzir discursos de agências de notícias, por exemplo, como geralmente faz a editoria de internacional. JORNALISMO ESPECIALIZADO
  10. o Discussão: Os colaboradores experientes deveriam ter uma função complementar

    nas redações, que não é a de produzir jornalismo, mas ser complementar às notícias e reportagens produzidas pela equipe de jornalistas. o Sugestão de leitura: "O jornalismo especializado e a especialização periodística", de Frederico de Mello Brandão Tavares. Disponível em <http://www.ec.ubi.pt/ec/05/pdf/06-tavares- acontecimento.pdf>. JORNALISMO ESPECIALIZADO
  11. PARTE 2 MÍDIAS ESPECIALIZADAS E JORNALISMO SEGMENTADO

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  31. PARTE 3 PAUTAS DE INTERESSE

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  54. PARTE 4 APURAÇÃO JORNALÍSTICA

  55. o Conforme Luiz Costa Pereira Junior, quando jornalistas falam em

    realidade, fatos ou acontecimentos, estão na prática falando de uma construção da realidade. O jornalismo é um território em que a certeza deixa de ser concreta. o Mas, por acreditarem que repórteres transmitem o real, não uma construção do real, empresas tocam seus negócios com base no que os jornalistas informam ao público, assim como setores econômicos e políticos. o Discussão: se tudo é versão, como confiar nas evidências relatadas pelos repórteres? APURAÇÃO JORNALÍSTICA
  56. o A versão pode mudar conforme o caminho trilhado pelo

    repórter. Geralmente, é isso que acontece quando diferentes veículos estão cobrindo o mesmo acontecimento. o O que o repórter não deve fazer é apresentar- se como neutro, escondendo de sua audiência os obstáculos e as condições encontradas em determinada cobertura. o Discussão: conforme Luiz Costa Pereira Junior, o repórter deve ser o mais transparente possível. O que implica explicar as condições de produção, contextualizar as declarações das fontes e indicar como trilhou o caminho das pedras. Algo impossível em 500 caracteres. APURAÇÃO JORNALÍSTICA
  57. o O jornalista não deve somente ser um relator do

    que está observando no local do acontecimento, mas um profissional capaz de processar e correlacionar as informações que possui, contrapondo-as às evidências encontradas. o Deve considerar seus limites para explicar a “realidade”, uma vez que toda reportagem é baseada em mediações e discursos (entrevistas, relatos, mediações de documentos, correlações, provas e contraprovas). o Uma reportagem, para Luiz Carlos Pereira Junior, é um jogo de versões e construção de realidades. APURAÇÃO JORNALÍSTICA
  58. o Os passos da investigação jornalística 1. Elaboração da pauta

    Pista inicial + Sondagem inicial + Preparação da pauta 2. Pré-produção Análise das fontes + Sequência de abordagem 3. Produção Confrontação de informações + Checagem 4. Pós-produção Redação + produção visual da reportagem + reserva de documentação APURAÇÃO JORNALÍSTICA
  59. o Conceitos básicos de verificação 1. Nunca acrescentar o que

    não existe. 2. Nunca enganar o público. 3. Ser o mais transparente possível sobre os métodos e as condições produtivas. 4. Confiar somente em seu próprio trabalho de reportagem, desconfiando de informações de terceiros, especialmente de assessorias. 5. Ser humilde e considerar suas limitações. Não se considerar “o” construtor da realidade, mas “um” construtor de realidades. APURAÇÃO JORNALÍSTICA
  60. o A pauta foi bem preparada? 1. O repórter possui

    conhecimentos diante de informações fornecidas pelas fontes, na fase de apuração propriamente dita? 2. O repórter consegue apresentar contrapontos às informações fornecidas pelas fontes? 3. As fontes escolhidas são relevantes para o esclarecimento dos fatos? 4. Os dados apurados atualizam a questão abordada na pauta? São questões significativas? 5. A premissa está forçada, equivocada ou fundada em preconceito e senso comum? APURAÇÃO JORNALÍSTICA
  61. o Relação com fontes 1. Antes de abordar a primeira

    fonte, o repórter deve se informar ao máximo (sondagem inicial). 2. Em muitos casos é melhor sondar primeiro as fontes secundárias, que são úteis para fornecer detalhes ao repórter. Assim o repórter confrontará fontes mais impactantes com total propriedade. 3. Essa técnica amplia o conhecimento que se tem sobre o acontecimento, permitindo que o repórter chegue melhor preparado para sua segunda entrevista. 4. Na dúvida, recomenda-se que o repórter deixe suas fontes de sobreaviso, preparadas para uma nova consulta de confrontações. APURAÇÃO JORNALÍSTICA
  62. o O repórter não pode ficar refém de sua fonte

    1. O repórter deve dominar o assunto, para ser capaz de confrontar e corrigir sua fonte. 2. Não deve comprar as versões dos fatos fornecidas por suas fontes. 3. É preciso ser crítico, solicitando para que o entrevistado fundamente questões que ficaram pouco claras em suas respostas. 4. É preciso que o repórter solicite pistas que garantam a confiabilidade dos dados passados pela fonte. É necessário que, antes de uma publicação, tudo seja checado com rigor. APURAÇÃO JORNALÍSTICA
  63. o A importância de revisar as informações 1. O repórter

    deve checar todos os nomes, títulos e informações citadas em sua reportagem. 2. Serviços: se há números de telefones e e-mails, devem ser checados. 3. As citações devem ser precisas. Se o repórter não entendeu o que a fonte quis dizer, como o leitor vai entender? 4. A reportagem é justa? Todos os envolvidos estão identificados? Alguém pode ficar zangado com a reportagem amanhã? O repórter tomou algum partido, favorecendo ou desfavorecendo determinada fonte? Alguém gostará mais da reportagem do que deveria? APURAÇÃO JORNALÍSTICA
  64. PARTE 5 PRODUÇÃO TEXTUAL

  65. o Considerar as especificidades da redação para o digital, que

    se diferencia da redação para as mídias TV ou impresso, por exemplo. o Construção textual modular: links para documentos internos ou externos, fontes complementares, sugestões bibliográficas, contrapontos diversos. o Entrelaçamento: busca potencializados a partir de ‘tags’ inseridos nas reportagens. o Arquivos disponibilizados para download (direitos autorais devem ser considerados). PRODUÇÃO TEXTUAL
  66. PARTE 6 EDITORIA DE EDUCAÇÃO

  67. o Enriquecimento da reportagem a partir de produções audiovisuais, arquivos

    sonoros, galeria de imagens, ‘games’, etc. o Incentivo ao 'feedback‘ a partir de comentários, envio de audiovisuais, áudio, documentos via de plataformas intuitivas, com usabilidade convidativa. o Sistema de recomendação de notícias do mesmo periódico ou veículo, geralmente sugeridas automaticamente por tags. PRODUÇÃO TEXTUAL
  68. o Na contemporaneidade, a educação se tornou uma das molas

    propulsoras que servem de parâmetro para a inclusão social na sociedade da informação, motivo pelo qual toda a série de medidas e também os cuidados relacionados ao sistema educacional de um país merecem destaque e atenção. o Cabe aos meios de comunicação a tarefa de identificar, apurar e assinalar com profundidade de análise e de interpretação as reais condições do ensino brasileiro o O jornalista que atua na editoria de educação deve estar atento aos problemas e às iniciativas que estão sendo implementadas tanto pelo governo quanto na iniciativa privada. EDITORIA DE EDUCAÇÃO
  69. o Deve também considerar questões de origem histórica que ainda

    dificultam a expansão e a melhoria do sistema educacional no do País. o O jornalista deve estar atento aos fatores políticos e econômicos que atuam transversalmente nesta editoria. o Temas de interesse: analfabetismo; ofertas de editais e cursos livres, preferencialmente gratuitos; cursos para promoção de mão de obra qualificada, cobertura de passeatas estudantis; vestibulares; professores ou instituições que se destacam por alguma inovação; inauguração de escolas e universidades; dificuldades para a promoção do ensino em zonas de pobreza; estímulo à pesquisa (exceto descobertas científicas); etc. EDITORIA DE EDUCAÇÃO
  70. Zero Hora criou a editoria em 2011

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  79. PARTE 7 EDITORIA DE CULTURA

  80. o O jornalismo cultural deve registrar e provocar. o Enfatiza

    a cultura local, nacional e internacional, em suas diversas manifestações - como artes plásticas, música, cinema, teatro, televisão, folclore, etc. o Os textos escritos para a editoria de cultura podem trazer reflexões sobre os movimentos culturais, aspectos históricos e características com aprofundamento. o As pautas são variadas, incluindo cobertura de eventos (festivais, exposições), de instituições que geram produtos e fatos (produtoras de cinema, estúdios, galerias, museus, bibliotecas, teatros, gravadoras), políticas públicas para a área (secretarias e ministérios da Cultura e da Educação) e o dia-a-dia do setor. EDITORIA DE CULTURA
  81. o Para receber notícias de cultura estrangeira, os veículos geralmente

    dependem de agências de notícias. Em alguns casos possuem correspondentes estrangeiros ou enviam jornalistas aos países. o As fontes são divididas entre protagonistas (artistas, produtores culturais, curadores, empresários) e autoridades (secretários de cultura, funcionários públicos, diretores de fundações, museus e bibliotecas). o O crítico cultural escreve análises e comentários sobre determinada obra ou artista. Geralmente, se especializa numa determinada arte ou estilo e procura ter um sólida formação teórica (ou acadêmica) para fundamentar as suas opiniões. EDITORIA DE CULTURA
  82. o Na crônica cultural, o texto normalmente é subjetivo, mas

    com fundamento. Pela informação técnica que o crítico coloca em suas matérias, o leitor terá mais dados para fazer a sua própria avaliação. o O crítico deve observar o mercado cultural sem preconceitos ideológicos e buscando a pluralidade política. o Além do senso crítico de avaliação, deve contextualizar a obra de arte que está sendo analisada e apontar tendências em seu mercado específico. o Deve estar atento ao cronograma de eventos do setor (lançamentos). EDITORIA DE CULTURA
  83. o Temas eruditos devem ser tratados com leveza, com foco

    no grande público, porém sem viés populista. o Temas voltados ao entretenimento devem ser tratados com sutileza, sem elitismo ou que demonstrem fanatismo do jornalista. o Suplementos semanais podem manter a densidade crítica; dependendo do veículo, cadernos diários permitem maior superficialidade nos tratamentos. o É preciso cuidar a marginalização da crítica, geralmente baseada no ‘achismo’, no palpite do próprio jornalista. Lembre-se: a intenção é ampliar o repertório cultural do leitor. O caderno de cultura é um espaço de sedução. EDITORIA DE CULTURA
  84. Daniel Piza (1970 – 2011) EDITORIA DE CULTURA

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  95. PARTE 8 JORNALISMO LITERÁRIO

  96. o Trata-se de uma espécie de retorno às raízes do

    jornalismo: o texto estilo crônica (ao mesmo tempo analítico e narrativo-descritivo), as cartas informativas de localidades próximas, os relatos de viagens com informações sobre a vida em locais distantes. o Texto criativo e não linear, que busca conciliar uma narrativa literária de não ficção a critérios jornalísticos. o Deve-se primar pela credibilidade: a narrativa criativa no jornalismo literário não pode se desviar dos fatos ou falseá-los. o Reexame da objetividade: expansão da narrativa buscando aprofundamento nos inúmeros relados ou "verdades" que cercam o acontecimento. JORNALISMO LITERÁRIO
  97. o Requer que a habilidade do contador de histórias esteja

    aliada a capacidade do repórter. o Não se trata de apenar relatar os fatos, mas de fornecer informações que levam as pessoas a uma compreensão mais profunda do tema. o Fontes secundárias geralmente ganham status de protagonistas, quando capazes de retratar a realidade social, a história que se deseja contar. o O texto deve ser tão confiável quanto a reportagem mais confiável, embora busque uma verdade maior do que é possível através da mera compilação de fatos verificáveis o Deve oferecer uma abordagem imaginativa, capaz de desbravar e expandir diversos pontos de vista sobre determinado acontecimento. JORNALISMO LITERÁRIO
  98. o Conforme mostrou Gay Talese, se necessário é possível que

    o jornalista atue como um pesquisador participante, além de assumir somente o papel de um observador. o O jornalista deve estar estimulado a penetrar cada vez mais na verdade de cada história, o que só pode ser feito se ele possui os instrumentos de linguagem necessários, o know-how narrativo, conhecimentos sobre critérios jornalísticos e 'feeling' investigativo. o O texto deve ser atrativo, uma vez que, em geral, os leitores preferem histórias mais rápidas e concisas. o Ênfase na apuração: o jornalista pode passar meses fazendo pesquisas de campo (entrevistas, observações, relatos, etc). JORNALISMO LITERÁRIO
  99. Gay Talese (1932)

  100. o 1. Construção de cena por cena O cerne do

    texto literário não é a informação – os dados –, mas a construção de cenas. “Os escritores mais talentosos são aqueles que conseguem manipular a memória do leitor de uma forma tão rica”, argumenta, “que conseguem criar dentro da mente dele um mundo inteiro o qual ressoa com as suas emoções verdadeiras”. Gay Talese usava um mural para dividir as suas histórias em blocos de cenas. JORNALISMO LITERÁRIO: OS QUATRO PRINCÍCIOS DE TOM WOLFE
  101. o 2. Diálogo realista O jornalismo pega emprestado a técnica

    do realismo para envolver o leitor. Em vez de descrever, o jornalista pode usar as falas como recurso para construir os personagens da história. Wolfe enfatiza a importância de anotar ou gravar tudo para conseguir esse efeito. JORNALISMO LITERÁRIO: OS QUATRO PRINCÍCIOS DE TOM WOLFE
  102. o 3. Detalhes Wolfe acredita que o jornalista deve capturar

    todos os detalhes (indícios) que possam ter algum significado simbólico para a história. Esses detalhes não devem ornamentar o texto, mas servir para criar uma atmosfera ou um significado. Por exemplo: um tapete barato que se deteriora com o tempo ou estátuas de gesso que imitam bronze servem para revelar a condição de alpinistas sociais. JORNALISMO LITERÁRIO: OS QUATRO PRINCÍCIOS DE TOM WOLFE
  103. o 4. Ponto de vista Apresentar a história pelo ponto

    de vista dos personagens. Isso não significa que o jornalista deve supor ou inventar sentimentos e reflexões. O ponto de vista é obtido por meio de entrevistas extensas e perguntas certeiras. Qualquer reconstrução psicológica deve ser baseada em fatos e investigação profunda dos personagens. Portanto, o texto do jornalismo literário é construído em um ritmo diferente do tradicional. JORNALISMO LITERÁRIO: OS QUATRO PRINCÍCIOS DE TOM WOLFE
  104. Tom Wolfe (1931)

  105. JORNALISMO LITERÁRIO

  106. JORNALISMO LITERÁRIO: ALGUMAS OBRAS CLÁSSICAS Hiroshima (1946) John Hersey Investiga

    a vida de seis sobreviventes dos ataques atômicos da cidade japonesa homônima, no final da Segunda Guerra Mundial. Cada relato é seguido por um breve comentário descrevendo o quão perto cada pessoa estava do epicentro da explosão.
  107. JORNALISMO LITERÁRIO: ALGUMAS OBRAS CLÁSSICAS A Milésima Segunda Noite da

    Avenida Paulista (1948) Joel Silveira Coletânea de textos investigativos escritos no decorrer da década de 1940. O livro apresenta crônicas curtas e bem-humoradas sobre a vida cultural do país. Alguns dos “personagens” do livro são: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. O repórter Joel Silveira cobriu a Segunda Guerra a serviço de Assis Chateaubriand, o Chatô.
  108. JORNALISMO LITERÁRIO: ALGUMAS OBRAS CLÁSSICAS Olga (1992) Fernando Morais Investiga

    a trajetória de Olga Benário, recrutada pelo governo soviético para dar proteção ao líder comunista brasileiro Luís Carlos Prestes. O jornalista relata a vida de Olga ao lado de Prestes, com quem viveria um romance antes de ser presa e deportada pelo governo Vargas para ser morta na Alemanha nazista.
  109. JORNALISMO LITERÁRIO: ALGUMAS OBRAS CLÁSSICAS Meninas da Noite (1996) Gilberto

    Dimenstein Livro redigido a partir de uma série de reportagens investigativas sobre a prostituição infantil desenvolvidas entre 1985 e 1995. As reportagens foram originalmente publicadas na Folha de São Paulo.
  110. o Emprego de técnicas literárias o Profunda observação social o

    Pesquisa de campo o Criatividade o Grande caracterização de personagens o Ambientação do fato narrado o Fuga das regras do texto jornalístico convencional o Inserção de diálogos (com travessão) o Descrição minuciosa (lugares, feições, objetos) o Descrição psicológica dos personagens (sentimentos, emoções) JORNALISMO LITERÁRIO: PRODUÇÃO TEXTUAL
  111. o Alternância de foco narrativo: - Narrador onisciente: o narrador

    conta a história como um observador que sabe de tudo. Geralmente em terceira pessoa - Narrador onipresente: o narrador assume o papel de uma personagem, principal ou secundária. Geralmente em primeira pessoa. Obs: não se deve confundir o autor com o narrador. O autor é quem cria a história, o narrador quem conta. JORNALISMO LITERÁRIO: PRODUÇÃO TEXTUAL
  112. o Investigação social: - Entrevistas de compreensão - Entrevista confronto

    - Perfil-humanizado - Histórias de vida - Entrevista biográfica - Observação participante - Memória - Documentação o Não esquecer a principal diretriz: o Jornalismo literário está situado na fronteira entre o factual (acontecimento) e o imaginário (subjetividade da narrativa literária). JORNALISMO LITERÁRIO: PRODUÇÃO TEXTUAL
  113. PARTE 8 EDITORIA DE POLÍTICA

  114. o Política (práxis) Arte ou ciência de governar. Gestão de

    recursos públicos, organização, direção e administração de nações ou Estados. Aplicação dessa arte nos negócios internos da nação (política interna) ou nos negócios externos (política externa) Arte ou vocação de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido político, pela influência da opinião pública, pela aliciação de eleitores, etc. o Ciência política (científico) Ciência que se dedica a estudar os modelos de organização e funcionamento estatal EDITORIA DE POLÍTICA
  115. o Cobertura política (Jornalismo) o Cobertura de assuntos relacionados às

    instituições governamentais (governos, ministérios, secretarias, partidos, órgãos oficiais, institutos de pesquisa de opinião) o Cobertura de eventos: eleições, plebiscitos (consulta prévia), referendos (consulta posterior). o Dia-a-dia do poder no país, em níveis nacional, estadual e municipal e cobertura de assuntos relacionados às políticas públicas. o Cobertura relacionadas aos investimentos públicos, corrupção e gestão de recursos por parte dos parlamentares. EDITORIA DE POLÍTICA
  116. o Diferentes discursos: o jornalista que cobre política deve conversar

    todos os dias com muita gente, de todos os tipos, das mais variadas origens e com os mais diversos interesses. Em Brasília, há várias fontes com interesses conflitantes e que brigam entre si. Estão interessadas em falar ou podem se interessar em falar se souberem que outros já deram suas versões sobre os fatos. o Apuração: políticos "mentem" muito, às vezes até quando pensam falar a verdade, e poucos são confiáveis. Mas têm acesso a muita informação e são fontes imprescindíveis. É necessário checar as versões iniciais e desconfiar de tudo que faz sentido demais. EDITORIA DE POLÍTICA
  117. o Relações sociais: todos os políticos têm interesses e objetivos,

    lealdades e inimizades, ambições e ressentimentos. Para reconstituir o que aconteceu nos bastidores o jornalista é obrigado a se basear em relatos de segunda ou terceira mão. o Análise de multiplicidade de informações: é necessário reunir grande massa de informações que lhe permita aproximar-se dos fatos. Fazer a triagem do material bruto, identificando os pontos consistentes, as “invenções” e as questões ainda obscuras e confusas. o Cuidado com informações “plantadas”: o mais comum é o parlamentar dar a informação porque acredita que a divulgação irá beneficiá- lo ou prejudicar algum desafeto. EDITORIA DE POLÍTICA
  118. o Fato e análise: o jornalista político deve possuir um

    nível de informação que permita entender o alcance e a limitação dos fatos. o Atenção aos contextos: cobertura política se faz com uma adequada combinação de informação factual e background histórico. o “#FakeNews”: na luta política, os atores sempre tentam apresentar os fatos pelo ângulo que lhes é mais favorável. O antídoto é reunir muita informação. o Etiqueta: noções básicas da Constituição, dos Regimentos das casas legislativas, do sistema político, de teoria política. Deve estudar a história política do Brasil e utilizar a internet com cautela. Perceber as nuances das palavras: afirmar, admitir, esclarecer, etc. EDITORIA DE POLÍTICA
  119. o Principais fontes: - Assessoria dos deputados - Diário Oficial

    - Assessoria da Câmara - Assessoria dos Deputados - Assessoria do Senado - Especialistas (gestores públicos, sociólogos, cientistas políticos, etc). EDITORIA DE POLÍTICA
  120. PARTE 9 EDITORIA DE ECONOMIA

  121. o Surgimento: nasce praticamente com a origem do jornalismo. Alguns

    exemplos são as cartas circulares em formato de panfletos do século 12 e as gazetas manuscritas do século 15, que focavam suas pautas especialmente em notícias mercantis (colheitas, chegada de navios, cotações de produtos). o Gazetas manuscritas: jornal feito à mão do qual pessoas tiravam cópias para vender. As notícias eram escritas a partir de relatos de cartas recebidos pelos correios, advindos de outras localidades. A periodicidade dos correios, trazendo informações em levas sucessivas, permitiu que se apresentassem em dias certos, habituando os leitores. o As notícias advindas de nações longínquas sempre movimentaram preços de insumos e a economia. EDITORIA DE ECONOMIA
  122. o Histórico brasileiro: o jornal Diário do Rio de Janeiro

    (1821-1878) foi o primeiro jornal que foi além da temática política, cobrindo temas de interesse popular e de economia. o Entre o final do século 19 e as primeiras décadas do século 20, os jornais brasileiros já traziam colunas fixas e diárias com temas exclusivamente econômicos. o Por volta de 1920, por exemplo, O Estado de S. Paulo publicava uma coluna assinada por Cincinato Braga, intitulada “Magnos problemas econômicos”. o Hoje é muito comum em jornais diários a presença de comentaristas de economia, com formação na área ou jornalistas especializados. EDITORIA DE ECONOMIA
  123. o Até a década de 1970, as notícias econômicas não

    “manchetavam” os jornais com tanta frequência. o Foi com ditadura militar que o jornalismo econômico brasileiro floresceu, porque as páginas de Política “emagreciam” na mesma proporção em que as de “Economia” engordavam. o Os militares queriam alardear sobre o milagre econômico (crescimento econômico espetacular - beirando 10% ao ano - e diminuição da inflação a custa de diminuição dos salários e dos reajustes, concentração de renda e outras facilidades para o investimento estrangeiro). EDITORIA DE ECONOMIA
  124. o O trabalho de apuração passou a ser segmentado por

    setores econômicos específicos. o Surgem os repórteres especializados que cobrem exclusivamente Petrobrás, BNDES, Banco Central (criado no período militar), Ministério da Fazenda, comércio exterior, etc. o O governo militar via todo esse investimento com bons olhos, mas, aos poucos, os jornais também passaram a denunciar os efeitos nocivos do milagre econômico, como a péssima distribuição de renda. o Aos poucos a editoria começa a especializar repórteres também no segmento de economia popular e tendências que pudessem impactar em suas vidas. EDITORIA DE ECONOMIA
  125. o Foi uma experiência que atraiu um novo tipo de

    leitor, como donas de casa. o Contemporaneidade: desde os planos Cruzado I e II e Collor, o jornalismo econômico passou a cobrir os planos econômicos do país de forma um pouco mais crítica, convidando economistas de diferentes ideologias e tendências para analisá-los. o A partir do governo Collor, a abertura para o capital foi explícita. o Com o crescimento e sofisticação do mercado financeiro, os empréstimos externos constantes e a presença também constante do Fundo Monetário Internacional, o noticiário econômico passou a ganhar destaque. EDITORIA DE ECONOMIA
  126. o O discurso das reformas é exemplar nesse sentido. O

    déficit na Previdência Social brasileira, as privatizações, a submissão ao FMI,a necessidade de reformas estruturais (tributária, sindical,previdenciária, trabalhista) todas voltadas a reduzir o papel do Estado, aumentando o poder do setor privado. o Geralmente a editoria relaciona temas transversais como tecnologia, emprego e mercado imobiliário, política econômica nacional e internacional, educação, turismo, etc. o Fontes: protagonistas (empresários), autoridades (ministros, secretários, diretores de órgãos, funcionários públicos), especialistas (economistas) e usuários (consumidores). EDITORIA DE ECONOMIA
  127. o Macroeconomia - cobre as políticas de Estado para economia,

    preços, inflação, salários, emprego, desemprego, crescimento, recessão, orçamento, endividamento, contas nacionais, balança comercial, importação e exportação. o Finanças - cobre o mercado financeiro, bolsas de valores, mercado de ações, títulos públicos, juros bancários, bancos, Banco Central, bolsas de mercadorias e futuros, especulação, câmbio (moedas estrangeiras), commodities. o Negócios - cobre as empresas (estatais e iniciativa privada), fusões, aquisições, separações, parcerias, pesquisa & desenvolvimento e tecnologia, marketing, casos de sucesso entre empresários e executivos. EDITORIA DE ECONOMIA
  128. o Infraestrutura - cobre obras públicas, investimentos e manutenção em

    energia, eletricidade, combustíveis, transportes, telecomunicações, telefonia, radiodifusão. o Assim como outras especializações, a editoria de economia está em diálogo permanente com outras editorias. o Reportagens sobre ministros dando orientações de macroeconomia também são da área de política; mudanças em instituições financeiras globais são compartilhadas com a Internacional; crimes financeiros e fraudes bancárias podem aparecer na página de Polícia. EDITORIA DE ECONOMIA
  129. ANDRES KALIKOSKE KALIKOSKE@HOTMAIL.COM FACEBOOK.COM/KALIKOSKE